Por Gustavo Martins-Coelho


A humanidade é uma soma de pessoas muito inteligentes e de pessoas muito burras. Vê-se isso nos elevadores.

A pessoa que inventou os elevadores com dois botões de chamada, um para subir e outro para descer, faz parte do primeiro grupo — o das muito inteligentes.

As pessoas que andam de elevador são, em geral, muito burras.

A humanidade é uma soma de pessoas muito inteligentes e de pessoas muito burras, mas as muito burras excedem largamente em número as muito inteligentes, o que baixa consideravelmente a média e significa que, provavelmente, há mais pessoas abaixo dela (da média) do que acima.

Mas voltemos aos elevadores.

Os elevadores são o exemplo acabado de como as pessoas muito burras anulam por completo as boas intenções e o génio das pessoas muito inteligentes.

Quando o elevador vai subir, uma pessoa que queira descer e o apanhe apenas produz duas consequências: atrasa toda a gente (porque o elevador passa mais tempo parado, a apanhar pessoas que lhe não dão uso imediato) e aperta toda a gente (porque vai ocupar espaço dentro do elevador, para, literalmente, passear poço acima, poço abaixo — o que é particularmente pernicioso em locais onde os elevadores circulam cheios ou perto disso, como é o caso dos hospitais). Quando o elevador vai descer, uma pessoa que queira subir e o apanhe produz exactamente os mesmos dois efeitos.

Ciente disto, uma pessoa muito inteligente e bastante observadora inventou um sistema em que cada um chama o elevador carregando no botão correspondente ao seu objectivo: subir ou descer. Se quer descer, o elevador só para quando vai a descer e, se quer subir, o elevador só para quando vai a subir.

E as pessoas muito burras carregam nos dois botões e entram no elevador quando ele pára no sentido oposto àquele que pretendem, gerando as consequências já elencadas e uma terceira: o elevador pára, novamente, na volta, atrasando ainda mais os utilizadores!

As pessoas que chamam o elevador pelos dois botões, independentemente de quererem subir ou descer, deviam ser lançadas do alto do poço do mesmo. Seria uma forma de contribuir para a melhoria da humanidade. Pulverizá-las parece-me demasiado agressivo, mas pode ser justificado nalguns casos especiais.

Pessoas que dizem «experienciar» merecem o mesmo tratamento.

O mesmo para as pessoas que dizem «experimento», ou «experimentação».

Substantivo: experiência. Verbo: experimentar.

Porquê complicar o que é simples?

Mas que grande chatice!