Por Gustavo Martins-Coelho


Tirando para um par de detractores estratosféricos que se acham luminárias e gostam de jardins murados [1], o e-mail (ainda) está (e estará) na moda.

É uma forma conveniente de comunicar por escrito, com a vantagem de que, ao contrário, por exemplo, do WhatsApp, é compatível entre plataformas diferentes. Um utilizador Gmail pode facilmente escrever a um utilizador do Hotmail, mas sempre quero ver um utilizador do WhatsApp a enviar uma mensagem a um utilizador do Viber

Ainda existe Viber? Alguma vez existiu?

Com tanta aplicação para fazer a mesma coisa, afogo-me em comunicação… Esbracejo, esperneio, tento manter-me à tona, mas perco-me nas profundezas das palavras que me querem dizer. É demasiado.

Em matéria de comunicação escrita, envio de ficheiros, etc., nada há que o WhatsApp consiga fazer, que o Gmail não consiga.

Em matéria de chamadas… que interesse tem isso!? O telefone é intrusivo. Se duas pessoas estão a conversar e uma terceira chega e interrompe, é rude. Porém — situação igual —, se duas pessoas estão a conversar e uma terceira interrompe, mas sem antes ter chegado, é um telefonema [2]. O telefone obriga-me a estar ali para ele. Eu gosto de estar ali para mim. Vivemos um imbróglio irresolúvel, eu e o telefone.

É por isso que volto ao email. Apesar de estar na moda, recuso-me a dizer «e-mail». Os Ingleses são descomplexados com a língua; nós somos complicados. E-mail, electronic mail — é tudo correio electrónico, correspondência electrónica, carta electrónica. Uma carta é uma carta, independentemente da forma usada. Ou só pode ser uma carta, se for em papel de carta? Uma carta em papel couché já não é uma carta?

Uma pessoa não é verdadeiramente livre, se não souber dizer:

— Não!

Digo não ao e-mail!

Sou livre!