Por Gustavo Martins-Coelho


Chegou 2018 e, com ele, uma nova coluna: «Eu acuso» [1].

A razão desta coluna é óbvia. Já em 2014 [2] eu clamava a impreterível necessidade de nos indignarmos perante a fraude: que paremos de aceitar complacentemente a fuga ao fisco; que paremos de criticar o subordinado incompetente na sua ausência, o confrontemos directamente com as suas limitações e o ajudemos a colmatá-las ou tenhamos a coragem de lhe explicar que não foi talhado para aquela função e que terá de encontrar outra que mais se lhe adeque; que as penalizações previstas na lei sirvam para punir, efectivamente, os faltosos e não como arma de arremesso contra os ódios pessoais; que denunciemos os crimes — grandes e pequenos — a que assistimos; que quem rouba uma câmara municipal não seja eleito seu presidente; que, quando vamos jantar com os amigos, o serão não inclua aplaudir as histórias rocambolescas de quem fez mundos e fundos à margem da lei. Em suma, que a mentalidade deixe de ver o mal em ser apanhado e passe a ver o mal onde ele realmente está: em prevaricar.

O nome desta coluna também é óbvio [3]: é preciso acusarmos quem erra e quem prevarica e é preciso fazê-lo sem medo e nominalmente. É preciso indignarmo-nos com a selvajaria.

A Sofia fá-lo-á por todos nós.