Nota do editor: este artigo é um resumo do artigo do Om Malik, publicado no «Om» [1]


O Facebook está debaixo de fogo e merece, mas isso não o fará mudar.

Cada empresa tem um código genético, que define as suas acções, reacções e estratégias, representando a sua ética. Tal como a Microsoft é um produtor de software, o Google uma plataforma de pesquisa e recolha de dados e a Apple um fabricante de produtos inovadores, o Facebook é uma rede social viciada em crescimento e envolvimento do utilizador. Todas as suas decisões são orientadas para o crescimento e maior envolvimento do utilizador, a qualquer custo. Crescimento e envolvimento do utilizador traduzem-se em mais dados, que podem ser usados para mais e melhor publicidade, logo mais lucro e valorização no mercado.

O envolvimento do utilizador é um jogo de soma zero: mais tempo no Facebook, no Messenger, no Instagram ou no WhatsApp é menos tempo no Twitter, no Snapchat ou noutro concorrente. O problema é que o seu mercado mais lucrativo (a América do Norte) está saturado, levando a que a empresa faça actos de contrição em torno das fake news, como forma de levar os utilizadores a continuarem a usá-la, agora que «vai melhorar», e procure apresentar-se como a vítima de agentes mal-intencionados [2]. Mas o Facebook não é, nunca foi e nunca será a vítima!

Isso explica por que o Facebook envia mensagens aos utilizadores que o abandonaram, instando-os a regressar; e explica por que o Facebook está a lançar o Protect. Esta aplicação, supostamente protectora da privacidade do utilizador, permite ao Facebook saber que aplicações cada um usa no seu telemóvel, de modo a adquiri-las ou copiá-las; e permite personalizar mais os seus anúncios, particularmente nos mercados onde não dispõe de tanta informação sobre os utilizadores, como sejam a Ásia, África e a América Latina. O lançamento de colunas inteligentes é mais um instrumento para adquirir informação sobre os hábitos do utilizador. E, se contas falsas e fake news ajudarem a fazer dinheiro, mesmo que comprometam eleições, o Facebook alinhará [3].

O objectivo último do Facebook é produzir anúncios hiperpersonalizados e com isso conseguir lucros ainda maiores, que mantenham Wall Street feliz, esmaguem os rivais e lhe permitam absorver todo o talento do mercado.

Esta pode ser uma versão simplificada da cadeia de eventos, mas o facto é que lucro, crescimento e envolvimento do utilizador são o código genético do Facebook e nunca mudarão, mesmo que, oficialmente, a sua missão seja ligar o mundo. O Facebook quer fazer dinheiro, mantendo-nos colados a ele. Sempre assim foi e não são as notícias actuais que o vão fazer mudar.