Por Fábio Morgado


O Verão aproxima-se a passos largos; ainda ontem parecia que estava a escrever um conto de natal futebolístico [1] e hoje o sol brilha e tenho de ter o ar condicionado ligado, para não sofrer com o calor!

É nesta altura do ano, após os excessos da Páscoa, que as pessoas se lembram de entrar em dietas, para ter o corpo de Verão perfeito — eu incluído! Por coincidência, é nestas alturas que as equipas começam a preparar a época seguinte, em que também vêem emagrecer o plantel e procuram construir a equipa perfeita, em termos desportivos e financeiros.

Com os campeonatos, seja de que desporto for, na sua recta final, o emagrecimento inicia-se numa área mais administrativa, que leva em consideração desde que jogador não rendeu o que devia até qual a melhor alternativa, passando pelo seu impacto financeiro — tal como nós estamos agora a pensar «por que comi tanto esta Páscoa?», «qual o melhor ginásio para mim?» e «qual o pacote com melhor relação qualidade–preço?».

O objectivo deste tipo de dietas é perder o excesso de peso que adquirimos quando comemos demasiados alimentos com muitas calorias. Sendo impossível viver do ar (embora haja quem tente, nestas alturas), torna-se necessário evitar alimentos altamente calóricos, comer com mais regularidade e juntar o exercício físico — fundamental para atingir o objectivo, embora muita gente finja que não.

As calorias, numa equipa de futebol, são o ordenado do jogador. Os jogadores que têm um desempenho positivo ao longo do campeonato, normalmente, são recompensados, no final da época, com a renovação do contrato e um aumento no ordenado. Se o jogador joga bem de maneira consistente, o seu ordenado atingirá um ponto de saturação; nestas situações, aparece um clube que tem um metabolismo mais acelerado, ou seja, é financeiramente mais forte, e compra-o. Quando isto acontece, o emagrecimento é forçado, mas a dieta voluntária consiste em vender os jogadores com salário mais elevado e com menor rendimento. Penso que todos os benfiquistas se lembram dum guarda-redes chamado Roberto — e mais não digo, porque é relativamente fácil perceber o que quero dizer. Este tipo de jogador é substituído por outro com menos calorias — um salário mais baixo —, capaz de fornecer os mesmos nutrientes — ou seja, rendimento desportivo. Aliás, equipas de campeonatos que não são financeiramente fortes tendem a comprar grandes quantidades de jogadores a campeonatos ainda mais fracos e esperar que um seja o bilhete premiado. Actualmente, o defesa direito do Marítimo, Bebeto, é uma surpresa; foi comprado a uma equipa da terceira divisão brasileira e poderá facilmente dar o salto para um grande português, porque apresenta qualidade para isso. Numa dieta, podemos experimentar vários alimentos menos calóricos, até encontrar o mais saboroso, mantendo-nos depois fiéis a esse produto.

Os clubes mais ricos são como aquela nossa amiga ou amigo que come tudo e mais alguma coisa e está sempre magra, ou magro, devido ao seu metabolismo rápido. Como expliquei noutro artigo [2], os clubes mais ricos rentabilizam imenso os seus jogadores e isso permite ter dinheiro para manter os mais valiosos. Porém, basta alguns anos sem ganhar, para perderem a capacidade financeira — como, por exemplo, está a acontecer ao AC Milan, que foi em tempos um clube com os melhores jogadores do mundo e hoje em dia nem equipa de Liga dos Campeões tem. O mesmo pode acontecer ao ser humano: são as chamadas dietas ioiô.

Nem todos têm a sorte de ter um metabolismo rápido; por isso, o melhor é evitar extravagâncias alimentares ou futebolísticas, para não dar azo a problemas de saúde, financeiros, ou ambos.