Por Hugo Pinto de Abreu


Bem-aventuradas PPP

Embora, para a opinião pública portuguesa, o conceito de parceria público-privada (PPP) tenha ficado manchado, pela perceção da existência dum desequilíbrio na gestão dos benefícios e dos riscos nalguns dos contratos — de facto, uma PPP só será benéfica se a negociação acautelar o interesse público na gestão dos riscos e na prestação de serviço público de qualidade —, tal não acontece, contudo, a nível europeu, onde as PPP são um dos mantras da ortodoxia dominante, sendo incensadas ao nível da bem-aventurança económica, subjazendo a ideia de que a gestão privada é sempre superior à gestão pública, pelo que os serviços e o investimento público devem ser, se não privatizados, pelo menos enquadrados numa gestão (público-)privada. É por isto que li com interesse o artigo de Richard Pond no «Social Europe» — o jornal online oficioso do centro-esquerda europeu e europeísta — intitulado: «Precisamos de mais investimento público, mas não de mais PPP» [1].

Voltando a Keynes

Gostaria de destacar o artigo de Vítor Bento no «Diário de Notícias» [2] sobre Keynes e os desequilíbrios inerentes à União Económica e Monetária, explicitando, à luz dos ensinamentos do economista britânico, um dos problemas fulcrais da arquitectura da Zona Euro:

Num sistema de câmbios fixos, o ajustamento deverá ser feito por desvalorizações internas (reduções salariais, para simplificar) do lado deficitário e revalorizações internas (efeito simétrico) do lado excedentário. As primeiras provocam deflação e as segundas potenciam inflação. A recusa da segunda consequência leva a que o ajustamento feito unilateralmente apenas do lado dos deficitários provoque custos sociais mais elevados, mesmo ao nível sistémico (e não apenas nos devedores).