Por Luís Mendanha


A Democracia portuguesa dos tempos modernos nasce com o 25 de abril de 1974. Quarenta e quatro anos volvidos, o processo de amadurecimento tem permitido um incremento do número de candidaturas independentes às várias eleições, quer de âmbito local, quer nacional.

A última década, tem sido particularmente rica em iniciativas desalinhadas do âmago partidário, no entanto, desengane-se o leitor das intenções por detrás de muitas destas candidaturas. O lobby continua a ser o grande motor da sociedade portuguesa, e a corrupção o seu braço armado.

Nos alicerces de algumas candidaturas «independentes», vive uma espécie de parasita que consome a estrutura, e que dá pelo nome de «desalinhado». Ora na maioria das vezes trata-se de indivíduos que tiveram o seu batismo político nos partidos, mas porque deixaram de estar na «crista da onda» acabaram escorraçados. Sem hipótese de triunfar, alvitram o nascimento de movimentos independentes livres do jugo partidário. Treta!

Burguesia sem escrúpulos, habituada a tiranizar os demais cidadãos, e sedenta de poder, embarca no movimento independente, com a conivência dos jogos de interesses dos media. O independente está na moda!

É claro que nem todas as candidaturas constituem exemplos negativos. Por exemplo, Rui Moreira, no Porto, representou uma verdadeira «pedrada no charco». Pode-se gostar mais ou menos do seu estilo político, mas a verdade é que se sente o seu amor pela cidade Invicta e a vontade de fazer mais e melhor pelos seus concidadãos.

A candidatura do autarca portuense mostra-nos o caminho para um saudável amadurecimento da Democracia portuguesa. É nesse sentido que devemos apontar. O independente tem que ser um bastião de lealdade e franqueza para com o Povo, ilustrando as suas dissemelhanças com os partidos políticos. Só alcançaremos a catarse dos atuais partidos políticos, com fortes movimentos sociais que reprimam jogos de interesses pelo poder. O bem-comum e não o cifrão devem constituir a roda-dentada da sociedade.

Despeço-me com uma frase do poeta Eugénio de Andrade, repleta de significado: «A independência tem um preço, sempre o soube, e nunca me recusei a pagá-lo.»