Por Fábio Morgado


Ontem, foi a estreia dos «Vingadores: guerra do infinito» [1]. Acho que o título português é uma tradução demasiado à letra, mas não é por aí que quero entrar neste artigo, porque este [2] não é um espaço sobre cinema; para isso, já há a coluna do João Roncha [3].

Este filme é o culminar do universo da Marvel [4], construído ao longo de dez anos e que teve início com o «Homem de ferro» [5]. No total, foram dezoito filmes, até chegarmos ao capítulo final. Nenhum destes filmes pode ser acusado de não ser um sucesso financeiro, visto que todos deram um enorme lucro à empresa mãe — a Walt Disney. Como já mencionei anteriormente [6], gosto imenso de ver, numa série ou num filme, crossovers, ou seja, quando duas ou mais personagens de elementos diferentes se cruzam e formam uma equipa, para combater os maus. Logo, os meus filmes preferidos do universo da Marvel são os «Vingadores» (que arrecadou $623.357.910), «Vingadores: era de ultron» (que arrecadou $459.005.868) e, por fim, «Capitão América: guerra civil», que é uma espécie de «vingadores 2,5» (e arrecadou $408.084.349). No total, os crossovers geraram $1.490.448.127. Nós, comuns mortais, nunca vamos gerar esse valor numa vida, nem com ajuda do Euro-milhões. O novo filme da saga «Vingadores» não fugirá à regra — e merecidamente, porque está muito bom.

Grande parte deste dinheiro vem do mercado norte-americano: estes sim, são grandes adeptos de crossovers, até no desporto. No desporto-rei americano, o basquetebol, há muitos anos que fazem um jogo anual, chamado «All stars». Para perceber o conceito deste jogo, é preciso saber minimamente como funciona a NBA: existem duas confederações — a Leste e a Oeste — e são recrutados os melhores jogadores de ambas para o tal jogo «All stars».

Dando um exemplo à escala portuguesa, seria como realizar um jogo Norte & Ilhas contra Centro & Sul, em que a equipa do Norte & Ilhas seria composta pelos melhores jogadores do Porto, Braga, Marítimo e Boavista e a equipa do Centro & Sul contaria com os melhores jogadores das equipas do Benfica, do Sporting, do Belenenses e do Portimonense.

O jogo «All stars» conta com o escol do basquetebol norte-americano e atrai milhões de adeptos para celebrar o desporto.

A UEFA já pensou em adaptar este conceito ao futebol europeu; e tenho memória de já ter acontecido um evento parecido, há muitos anos, penso que com objectivos de solidariedade.

Eu quero apresentar um conceito ainda mais ambicioso do que este da UEFA.

Sem sombra de dúvida, os continentes que mais vivem o futebol são o Europeu e o da América do Sul. Basta ver que é destes dois que sai a grossa maioria dos melhores jogadores mundiais.

Porque não a federação europeia e a sul-americana criarem um jogo «All stars» intercontinental: Sul-americanos contra Europeus?

Até deixo já a minha sugestão do onze titular de cada equipa, mas o leitor pode deixar a sua sugestão:

All stars Europa:

  • Guarda-redes — De Gea (Manchester United)
  • Lateral direito — Kyle Walker (Manchester City)
  • Defesas centrais — Sergio Ramos (Real Madrid) e Chielini (Juventus)
  • Lateral esquerdo — Alaba (Bayern Munique)
  • Médio defensivo — Kanté (Chelsea)
  • Médio centro — Pogba (Manchester United)
  • Médio ofensivo — De Bruyne (Manchester City)
  • Ponta direita — Bale (Real Madrid)
  • Ponta esquerda — Cristiano Ronaldo (Real Madrid)
  • Avançado — Harry Kane (Tottenham)

All stars América do Sul:

  • Guarda-redes — Ederson (Manchester City)
  • Lateral direito — Dani Alves (Paris Saint-Germain)
  • Defesas centrais — Otamendi (Manchester City) e David Luiz (Chelsea)
  • Lateral esquerdo — Alex Sandro (Juventus)
  • Médio defensivo — Casemiro (Real Madrid)
  • Médio centro — Vidal (Bayern Munique)
  • Médio ofensivo — Dybala (Juventus)
  • Ponta direita — Messi (Barcelona)
  • Ponta esquerda — Neymar (Paris Saint-Germain)
  • Avançado — Cavanni (Paris Saint-Germain)

Admito o meu desconhecimento em relação aos campeonatos sul-americanos, mas a verdade é que é na Europa que se pratica o melhor futebol. Portanto, é provável que os melhores jogadores para representar o continente da América do Sul estejam na Europa e, por norma, nos campeonatos mais fortes.

A criação deste evento seria capaz de atrair uma audiência global e gerar milhões de euros, além de que seria algo novo. A boa vontade dos clubes em emprestar os jogadores seria fundamental para o seu sucesso.