Por Fábio Morgado


A expressão «nunca se deve atirar a toalha ao chão» é utilizada para as pessoas não desistirem de se esforçar ou acreditar, mas, a meu ver, a pessoa deve ser inteligente ao ponto de perceber quando não é mais possível.

O FC Porto será campeão. Na altura em que escrevo este artigo, ainda está a um ponto de alcançar o título, mas, a não ser um descalabro de proporções épicas, nada o tirará ao clube do Norte. Como só o primeiro lugar me interessa, para mim, o campeonato encerra este Domingo, com a mais que provável vitória do Porto: estão motivados, jogam em casa e contra uma equipa que irá descer de divisão — é a receita perfeita para ser uma goleada.

Quem segue o futebol sempre ouviu outra expressão: «perde-se campeonato é com os pequenos». Ou seja, os grandes anulam-se e são os clubes mais fracos, com as suas manhas, que lá conseguem arranjar um empate, ou até a vitória, contra um grande. Neste campeonato, não foi o caso, porque o Porto, além de ter sido mais consistente contra equipas pequenas, também ganhou, no mínimo, um jogo a cada rival directo.

Eu, desde o início da época, considerei o Porto com a melhor frente de ataque em Portugal, graças ao Aboubakar, ao Marega e ao Soares. São rápidos, fortes e com faro para golo. A incógnita sempre foi o resto da equipa e o banco de suplentes. Na minha opinião, os jogadores nem foram os principais responsáveis pelo sucesso azul e branco; esse sucesso está no treinador, Sérgio Conceição. Este senhor conseguiu levar novamente a cabo o que o Nuno Espírito Santo não conseguiu (e muito menos o Lopetegui) — recuperar a mística do Porto, aquela vantagem psicológica de serem os melhores; e esse é o maior sucesso alcançado pelo treinador. Mas o sucesso não é só mérito do Porto: também houve demérito dos adversários directos.

No Sporting, acontece o que acontecia ao Benfica, quando o Jorge Jesus era treinador: joga muito bem e com intensidade, mas a falta de rotatividade da equipa faz com que se desgastem muito depressa, chegando a meados de Fevereiro ou Março com rendimento limitado. Para além, claro, de saber o que se passa internamente com aquele presidente, que parece que implementou uma ditadura no clube. Mas o Sporting já anda nestas andanças de eterno candidato há quase vinte anos. Para mim, fez uma época normal.

O Benfica é que fez uma época a roçar o desastroso — e nem tem que ver com e-mails. Começou na pré-época com a venda de jogadores chave, como Ederson, Lindelof e Nelson Semedo, mas, como já escrevi anteriormente neste espaço [1], não foi o mais grave. O Varela ou o Svilar, com tempo, irão ser tão bons quanto o Ederson; o Ruben Dias fez esquecer o Lindelof; e o André Almeida já era titular antes do Semedo — apenas recuperou a sua posição. A venda mais prejudicial do Benfica foi no ataque: o Mitroglou e o Jonas tinham uma parceria perfeita. O Jonas movimentava-se e abria espaços para o grego ser simples e eficaz. Em vez de contratarem um avançado com características idênticas, foram buscar um avançado suíço, que é muito móvel. Como o Jimenez também apresentava as mesmas características, não encaixaram.

Esta situação, junto com a utilização, no início de época, do Luisão com o Jardel — ambos defesas lentos — criaram uma instabilidade desportiva que há muito não se via no Benfica. O Rui Vitória mudou o esquema táctico e conseguiu recuperar muitos pontos e até o primeiro lugar ao Porto, na recta final do campeonato, mas voltou a perdê-lo; e porquê? Porque (e este foi o maior erro do Benfica esta época) preferiu defender o resultado num jogo importante contra o Porto — no Estádio da Luz!!

O Porto merece ser campeão, porque jogou à Porto e jogou para ganhar. Uma equipa que quer ser campeã não se pode contentar com o empate. Lamento dizer isto a todos os leitores benfiquistas, mas o Benfica mereceu perder o campeonato, por causa desse jogo… Alguém deve aos adeptos um campeonato…

Acabo este artigo com a frase mais popular para quem perdeu um campeonato: para o ano há mais!