Por Fábio Morgado


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No filme «Capitão América: guerra civil» [1], existe uma frase, dita pelo Hawkeye, que se tornou um meme:

— Afastei-me por cinco minutos e ficou tudo de pernas para o ar.

Não é a tradução mais fiel, mas quero evitar usar linguagem mais forte…

Ora, sinto-me como o Hawkeye, de certa maneira: informei que me ia afastar da escrita do blogue, temporariamente, por não haver mais campeonato [2]; desligo-me por cinco minutos do mundo do futebol e está tudo de pernas para o ar!

A violência só é solução para pessoas sem capacidade de raciocínio e que não sabem viver em sociedade. São pessoas que querem as coisas à sua maneira, a bem ou a mal.

Quando penso na profissão de atleta, a última coisa que penso é ser esta uma profissão de risco. Podem sofrer lesões que duram meses a fio, mas é um risco inerente ao trabalho, assim como eu também posso cair pelas escadas abaixo no trabalho e ficar incapacitado meses a fio, mas são muito raros os casos em que um atleta morre em campo por consequência duma entrada mais dura, embora já tenha acontecido.

Existem profissões em que o risco de ferimento, ou até de morte, é um dado adquirido: militar, polícia, bombeiro, entre outras profissões.

Profissões como professor podem ser consideradas mais perigosas do que jogador de futebol, mas menos do que um bombeiro. Lembro que a função do professor é ensinar e não educar [3]. Uma coisa é transmitir conhecimento, outra é ensinar a viver em sociedade. Os professores que trabalham com jovens com carências sociais têm uma profissão mais arriscada. É um facto, mas é um tópico muito sensível. É como o yin e o yang: existe o bem no mal, mas também existe o mal no bem. Nem todas as pessoas com carências sociais são mal educadas, mas uma parte não despicienda são-no; e muito devido ao ambiente em que estão inseridas — diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és.

Os valores dos pais são muitas vezes transmitidos para os filhos. Por consequência, filhos de pais violentos são violentos, desafiam a autoridade do professor e reagem à tentativa de imposição da disciplina por parte do docente com violência. Quem não se lembra dum caso que já tem alguns anos, em que a professora foi agredida, porque tirou o telemóvel à aluna, porque esta não o largava durante a aula [4]?

Nós sabemos que adolescentes são hormonais e explodem facilmente, mas a atitude da jovem foi inaceitável.

Outra profissão que também é perigosa e a que não se dá o devido valor é a de médico ou enfermeiro. Já não basta andarem rodeados de doenças contagiosas no seu local de trabalho, às quais podem sucumbir, ainda por cima, muitas vezes são obrigados a lidar com pessoas perigosas. O nosso serviço nacional de saúde é universal e tendencialmente gratuito, ou seja, trata toda gente praticamente de graça. Digo gratuito, mas é óbvio que os nossos impostos é que o pagam… O Estado português é basicamente uma empresa de condomínio, em que damos parte do nosso ordenado para termos tudo em perfeitas condições.

Há cerca de três meses, no Hospital de São João, no Porto, houve uma situação de violência contra enfermeiros, por demora no atendimento [5]. Os agressores eram ciganos. Os ciganos têm a sua própria sociedade dentro da nossa sociedade; têm as suas leis e tradições, mas não souberam respeitar o trabalho dos profissionais de saúde. Esta semana, um médico foi agredido, num centro de saúde, na Chamusca, pelo marido da doente a quem recusou passar uma baixa indevida [6]. Se passasse a baixa, salvava a pele, mas arriscava-se a ser mais um caso de baixas fraudulentas [7]

O que se passou esta semana com o Sporting [8] foi vergonhoso. Terroristas invadiram o centro de estágio de Alcochete e destruíram partes das instalações, agrediram jogadores e equipa técnica e deixaram ameaças. Este comportamento é de gente selvagem e infantil, que não sabe respeitar o trabalho e a autoridade dos outros.

O que estes fanáticos [9] conseguiram foi apenas piorar a situação. Os activos do clube vão querer sair por justa causa, ou seja o Sporting vai perder todo o investimento feito na compra dos passes e os jogadores em que o Sporting esteja interessado irão negar qualquer oferta. O que estes hooligans conseguiram fazer foi enterrar mais o clube.

Sinceramente, não se percebe a atitude dessa gente. Se fosse um clube habituado a ganhar, eu percebia que os jogadores actuais pudessem ser vistos como estando a manchar a imagem do clube. Mas o Sporting não tem tido um enorme sucesso desportivo nos últimos anos; aliás, até acho que, com o Jorge Jesus, tem estado melhor, porque luta pelo título até perto do fim. Lembro-me de anos em que, pelo Natal, estavam afastados da corrida ao título. Existem coisas mais importantes na vida do que o futebol; a energia dispensada neste acto vil e cruel seria bem melhor empregue se fosse a fazer algo efectivamente útil pela sociedade. Essa gente envergonhou o Sporting e o País.


P.S. Sou eu o único que acha curioso que este acto, que classifico de terrorista, se tenha passado em Alcochete? As palavras começadas em al- são de origem árabe, tal como é árabe a alegada [10] origem da maioria dos ataques terroristas cometidos ultimamente no mundo ocidental. Já para não falar da localização de Alcochete na margem Sul, considerada por alguns um deserto [11] — que, como se sabe, é a terra dos árabes por excelência. Um acto terrorista em Alcochete… irónico!