Por Fábio Morgado


No artigo de hoje, em vez de me focar num tópico só, vou falar brevemente de vários tópicos, porque este Mundial está a ser rico em surpresas, pelo menos nesta primeira semana.

Os Simpsons

Penso que grande parte da população mundial conhece esta família amarela de Springfield. É a série que está há mais tempo no ar, com 639 episódios. Além do humor de sátira social, este programa de televisão é conhecido por «prever» o futuro. Algumas coisas são facilmente previsíveis e constam do imaginário comum a outras obras televisivas, cinematográficas ou literárias — como um episódio de 1995, em que o namorado da Lisa, a filha do meio, fala com um relógio. Mas existem outras com um tom mais inusitado, como Donald Trump se tornar presidente dos Estados Unidos da América…

Estou a falar deste assunto porque, nos últimos dias, tem circulado no Facebook uma parte de um episódio transmitido em 1997, em que, no estádio da cidade de Springfield, estava a ser organizado o jogo para decidir qual a melhor equipa do mundo — entre Portugal e México. Até aqui, parece ser apenas uma escolha. A parte interessante é que os jogadores do México aparecem rodeados de mulheres — algo que já aconteceu exactamente este ano. Na altura de preparação, foi descoberta uma festa secreta da equipa mexicana, com imensas mulheres.

Visto que já apontei Portugal como um dos possíveis vencedores e o México se mostrou em grande forma ao vencer a Alemanha — a campeã em título —, será que os Simpsons irão acertar?

Melhor marcador

Na altura de redacção deste artigo, o melhor marcador do torneio é o Cristiano Ronaldo, com quatro golos. Quando for publicado, poderá já ser outro, mas o que estou a achar mais interessante é que já houve cinco autogolos, o que é extraordinário, especialmente numa competição deste nível, que deveria contar com os melhores dos melhores. Mas, como dizem, a sorte de uns é o azar de outros.

Favoritos que não jogam como favoritos

Esta primeira semana foi recheada de resultados surpreendentes. Equipas fortes a empatarem com equipas mais fracas. Ficou comprovado que só são fortes ou fracas no papel; em campo, cada um mostrou o seu melhor.

A Alemanha foi irreconhecível, ao perder com o México, mas o seleccionador alemão criou um problema ao convocar Neuer, um guarda redes que não jogou o ano inteiro, e — pior — deu-lhe a titularidade. Isto transmite uma mensagem, tanto aos jogadores como ao mundo, de que as «vacas sagradas» têm lugar cativo. Então, para quê se esforçar?…

O Brasil empatou com a Suíça, num jogo que pensaram que com um golo cedo estava tudo arrumado e não se aplicaram a fundo.

A Argentina empatou com a Islândia. Perto do fim do jogo, havia dez (!!) jogadores islandeses dentro da grande área; solidez defensiva, como falei nos meus artigos de análise aos grupos [1]. A frieza nórdica conseguiu bater o valor latino. Os argentinos estavam nervosos e só queriam que o seu messias resolvesse. Diz-se pela internet que Messi se sentia pressionado pelo hat trick de Ronaldo contra a Espanha…

Portugal vs. Espanha

Apelidado como um dos melhores jogos em mundiais, foi um jogo intenso para a eternidade, em que a sorte bafejou tanto Portugal, no nosso segundo golo, como Espanha, no seu terceiro golo.

A Espanha mostrou ter muito mais equipa do que nós, mas isto só mostra o jogador que Ronaldo é: levou uma equipa às costas. Foi uma equipa muito boa contra um jogador que já não há adjectivos para descrever. Tenho pena de que mais jogadores da nossa equipa não tenham a mesma mentalidade vencedora ou de dedicação que o nosso número 7. Ronaldo merecia colegas de selecção melhores. Basta ver o jogo contra Marrocos, em que não se conseguia ligar um ataque; eram só os africanos a atacar. Para mim, ficou Espanha — 3, Ronaldo — 3.

Espero que a nossa selecção melhore dentro do campo. Se não melhorar, ao menos que ganhem por meio a zero e de preferência sem muitos sustos!…