Por Fábio Morgado


Esta segunda semana do Mundial ficou marcada por resultados surpreendentes e trocas de palavras que baixaram o nível de personagens históricas no futebol português.

Iremos começar pelos resultados.

A Alemanha, campeã mundial, foi eliminada na fase de grupos. Facto curioso: nos últimos cinco torneios mundiais, a campeã ficou-se pela fase de grupos. Está a criar-se um padrão que, a continuar, acabará por ser denominado a maldição do vencedor do Mundial — como já acontece com a taça das confederações, que foi ganha pela Alemanha. A maldição mantém-se.

A Argentina ganhou 2–1, num jogo intenso, mas apanhou uma equipa que quis ganhar o jogo. Pessoalmente, acho que houve um pedacinho de karma. Obi-Mikel, capitão nigeriano, antes de começar o Mundial, comentou que queria tirar tudo ao Messi, porque este, muitos anos atrás, ganhou a final de futebol dos jogos olímpicos, precisamente, contra a Nigéria de Obi-Mikel. Bem, saiu-lhe o tiro pela culatra, porque foi precisamente este que perdeu a possibilidade de realizar uma passagem histórica para esta nação africana.

Este Mundial tem sido, para mim, o Mundial dos pequeninos: equipas teoricamente mais fracas têm batido o pé a grandes nações do futebol. Espanha e Portugal, na última jornada, empataram contra Marrocos e Irão. Aliás, Espanha até esteve a perder duas vezes ao longo do jogo! Portugal deixou-se empatar e o melhor do mundo falhou uma grande penalidade. Podíamos ter um futuro mais confortável, enfrentando a Rússia nos oitavos de final, mas, infelizmente, vamos cruzar-nos com o Uruguai, uma potência sul-americana que tem uma frente de ataque letal, com Cavani, do PSG, e Suárez, do Barcelona, bem como uma defesa sólida, com Godin e Gimenez, ambos do Atlético de Madrid — basicamente, defendem de olhos fechados, visto que ambos já conhecem os movimentos um do outro. Irá ser um jogo intenso.

O Portugal–Irão ficou marcado, durante o jogo, pela utilização — direi que — excessiva do vídeo-árbitro, apesar de ser necessária.

Esta tecnologia é suposto ajudar, mas existe sempre uma variável que influencia imenso a decisão dum lance, que é a opinião do árbitro.

Portugal sofreu um penálti do Irão, por braço na bola de Cedric. No jogo da Argentina contra a Nigéria, aconteceu um lance «tirado a papel químico» e já não foi considerado penálti. Ou é para todos, ou não é para ninguém…

Infelizmente, a tecnologia tem muito que progredir e só será perfeita quando for mais célere e quando for ela a decidir e não um ser humano. Uma máquina, quando programada, analisa todas as variáveis em questão de segundos e dá a resposta; um ser humano não. Mal comparado, é a diferença entre me pesar numa balança, que dá logo o resultado, seja qual for, e pedir a um amigo para me pegar ao colo e me dizer se acha que peso muito — obviamente, irá ter em consideração a minha sensibilidade à resposta e dizer «o normal», mesmo que tenha dado um jeito na coluna a levantar-me.

A decisão do VAR tem de ser o menos humana possível. Acredito que venha a haver um algoritmo que permita a concretização desta minha ideia, mas, a acontecer, recomendo a instalação dum antivírus dos bons, porque de certeza que algum pirata vai tentar corromper as decisões.

O pior da segunda semana de Mundial foi a atitude dum senhor chamado Carlos Queiroz. Eu percebo que ele quisesse ganhar o jogo a todo o custo, tal como mencionei na minha antevisão dos jogos da fase de grupos [1]. Queiroz queria vingar-se de Portugal, por ter sido corrido pelos jogadores, há alguns anos. Sempre tive estima por este treinador, porque sempre o achei um cavalheiro no discurso e muito culto no mundo do futebol, por ter trabalhado largos anos com o Sir Alex Fergusson, e pelo que deu ao futebol português, especialmente na formação dos mais jovens.

Porém, a minha opinião sobre ele mudou, quando o vi a tentar fazer uma pressão gigantesca sobre o árbitro, no momento em que o VAR foi activado; e quando o vi chegar-se ao pé do Moutinho, quando este ia entrar em campo, procurando desestabilizá-lo. O facto de ter dito, numa entrevista após o jogo, que a mensagem que transmitiu foi para acalmar os ânimos dos jogadores de ambas as equipas, não lhe retira a imagem negativa a meus olhos, até porque tenho sérias dúvidas de que ele tenha realmente procurado ter essa atitude conciliadora.

Após o jogo, a troca de galhardetes com o Quaresma também em nada dignifica a situação de ambas as partes. Da minha experiência, é deixar os loucos a falarem sozinhos.

Para concluir, uma curiosidade, para aqueles que acreditam em padrões. Apesar da previsão dos Simpsons [2] não se concretizar neste Mundial, porque, se México e Portugal ganharem todos os seus respectivos jogos, se cruzarão nas meias-finais, Quaresma marcou golo contra a Croácia a 25-06-2016 e fomos campeões europeus. Agora, o mesmo Quaresma marcou ao Irão a 25-06-2018. Será que o padrão se irá repetir?…