Por Fábio Morgado 


Portugal perdeu contra o Uruguai e fomos eliminados do campeonato do mundo.

Se Portugal tivesse ganho, estaria/estaríamos mais contente(s) e celebraria/celebraríamos, mas, realmente, pela minha parte, ficaria sobretudo contente pelo Cristiano Ronaldo. Não teve a infância perfeita, efectuou muitos sacrifícios desde muito novo, tais como ir para Lisboa aos catorze anos, sozinho, para se juntar ao Sporting.

Ronaldo nunca teve uma equipa segura, sólida e que jogasse quase de olhos fechados. Estou obviamente a fazer uma referência ao Messi e ao facto de nunca ter saído do Barcelona. Acredito piamente que, se o Ronaldo tivesse jogadores como Xavi e Iniesta a colocar a bola, teria seguramente muito mais golos marcados. O Ronaldo goleador que conhecemos cresceu da inteligência do jogador em se adaptar às suas condições físicas e do seu óbvio faro pelo golo. É também preciso um meio campo de qualidade, algo que — sim — sempre houve no Real Madrid, mas houve sempre uma rotação muito maior de jogadores, com saída de jogadores influentes como Özil e, no ano seguinte, Di Maria. Eram peças que desequilibravam e tinham boa qualidade de passe, bem como sintonia com a vedeta portuguesa. Felizmente, sempre foram contratados jogadores de qualidade, como Kroos ou James Rodriguez, mas foi sempre preciso trabalhar a química entre os jogadores, para se entenderem dentro de campo, algo que nunca se passou no Barcelona até recentemente e devido ao peso da idade. Desde que me lembro, estavam Xavi e Iniesta no meio campo do Barça.

Resumindo, o que quero realmente dizer é: Messi, apesar dos seus problemas de crescimento, teve a imensa sorte de estar inserido numa equipa que jogava de olhos fechados e colocava as bolas parecia que com a mão — e esta situação só fazia brilhar o argentino, porque era este o matador de serviço.

Se o Messi fizesse noutro clube e numa liga mais intensa o que fez no Barcelona, eu seria o primeiro a admitir que este era melhor que o Ronaldo, mas parece que nunca iremos saber.

O Ronaldo conquistou tudo o que era troféu por onde passou, menos no Sporting, porque lá esteve apenas uma temporada. Os únicos troféus que lhe faltam como profissional são a Liga Europa e um campeonato do mundo. Bateu recorde atrás de recorde, mesmo com os seus 33 anos, e nunca teve uma equipa que girasse à volta dele como o Messi tinha à sua volta no Barça.

Nos vários artigos que já publiquei neste espaço [1], devo ter referido, pelo menos uma vez, que um filme é tão bom quanto o seu vilão. O mesmo acontece na rivalidade destes dois extraterrestres. Para nós, Portugueses, Ronaldo é o herói e Messi o vilão. O Ronaldo só é tão bom, porque o seu adversário directo era fenomenal. Levou a que se sentisse motivado a fazer mais e melhor e, neste momento, pessoalmente, acho que o nosso Ronaldo é o melhor, porque, apesar de ambos terem cinco bolas de ouro, Ronaldo conseguiu ganhar um título pelo seu país. Ganhar um mundial por Portugal, para mim, seria o derradeiro argumento na discussão de quem é melhor.

Com este artigo, o leitor deve ter ficado a pensar que tenho um ódio de estimação ao Messi e ao Barcelona, mas tal não é verdade. Admiro tanto o jogador com o clube; apenas quero deixar bem claro que o Ronaldo, na minha opinião, sempre esteve em desvantagem em relação ao Messi, em termos de equipa e de entrosamento com os colegas. O Ronaldo merecia um Mundial: seria a cereja no topo do bolo duma carreira perfeita.