Por Gustavo Martins-Coelho


Disseram-me uma vez:

— Os escuteiros são um bando de meninos vestidos de idiota e comandados por um idiota vestido de menino.

A estética da indumentária escutista é, realmente, questionável, mas mais questionáveis são as suas actividades.

Os escuteiros são a maior instituição de lavagem de capitais do mundo!

Todos os anos, mais do que uma vez por ano, os escuteiros organizam campanhas de angariação de fundos. Nessas campanhas, vendem todo o tipo de bugigangas perfeitamente inúteis — e calendários. Que ninguém compra, claro está. Mas eles continuam a impingi-las, ano após ano, pelo Natal e não só. Depois da inútil e infrutífera campanha, os meninos, vestidos de idiota, vão, comandados pelo idiota vestido de menino, para o meio do mato, «acampar»…

A história oficial narra dias ocupados com caminhadas e outras actividades do género físico e canções à volta da fogueira, à noite. Mas alguém acredita nisso?! Basta olhar para as proeminentes panças burguesas dos idiotas vestidos de menino e para a abundante carne por baixo da roupa de idiota que vestem os meninos, para perceber que, nos acampamentos de escuteiros, os dias poderão ser preenchidos com muita coisa, mas actividades ao ar livre, que puxem pelo físico, não é uma delas! Sobram as baladas nocturnas; mas, mesmo estas, qualquer pessoa que tenha tido a oportunidade de ouvir um bando de escuteiros a cantar percebe que falta ali muito ouvido e muito ensaio — sinal de que a suposta prática musical nocturna, ao calor da fogueira, também não costuma acontecer.

E as oportunidades para ouvir os escuteiros cantar abundam! Aliás, basta juntar dois escuteiros — e eles, fazendo jus ao ditado: «quem canta mal canta sempre», lançar-se-ão imediata e inefavelmente em alegre e desafinada cantoria. Quantos mais escuteiros se juntarem, mais ruidoso — e desafinado — será o coro.

Uma vez, levei com um bando de idiotas — perdão, de escuteiros — num avião da TAP. Uns anos antes, tivera a companhia dos Super Dragões, num voo da Ryanair, entre Barcelona e o Porto. Nessa altura, dissera aos meus botões:

— Prefiro pagar mais, mas viajar com companhias aéreas que estejam fora do alcance das bolsas de qualquer claque futebolística — e dediquei-me com afinco a gastar o meu suado dinheiro em voos com a TAP, a Lufthansa e outras do mesmo calibre.

No dia em que me cruzei com os escuteiros na TAP, os meus botões responderam-me:

— Está na hora de começares a poupar no transporte aéreo.

Eu concordei: os Super Dragões são bastante silenciosos, ao lado dum magote de escuteiros a cantar as canções que não aprenderam à volta da fogueira. Ainda por cima, aos escuteiros da TAP acrescia uma outra característica que tinha, por si, o poder de torná-los execráveis, se mais motivos não houvesse: eram espanhóis.

Os Espanhóis são aquele povo que pediu a independência — de si mesmo! Palavras para quê?!

Mas, se a venda de calendários e de demais quinquilharia não rende e se os acampamentos não incluem caminhadas nem cantoria, por que persistem os escuteiros em ambas — e que fazem nas segundas? Os escuteiros vão para o mato encontrar os barões do narcotráfico e do contrabando de armas e de todos os demais artigos proibidos, para receberem carregamentos de dinheiro proveniente desses negócios esconsos, que depois metem nas suas caixinhas de esmolas e fingem provir da venda dos calendários que ninguém comprou. E é assim que os escuteiros lavam mais branco do que a lixívia Neoblanc!