Por Gustavo Martins-Coelho


Antes de passar ao tema que hoje cá me traz, quero deixar uma nota rápida. Diz que vai estar muito calor, nos próximos dias, pelo que é preciso ter cuidado. A exposição ao calor intenso pode ser nociva para a saúde e causar cãibras por calor, esgotamento devido ao calor e golpes de calor, situações que, pela sua gravidade, podem necessitar de cuidados médicos de emergência [1]. O melhor é prevenir: proteja-se da exposição solar e procure locais frescos, ou com ar condicionado, como a igreja, a biblioteca, um centro comercial, ou um museu; em casa, feche as persianas ou as portadas e só as abra quando a temperatura no exterior for inferior à do interior; faça refeições leves e mais frequentes; e evite as refeições pesadas e muito condimentadas; beba muita água, ou sumos de fruta natural (sem juntar açúcar), mesmo que não tenha sede, e dê a beber aos recém-nascidos e às crianças, aos idosos e aos doentes, e evite bebidas alcoólicas ou muito açucaradas; use roupa larga, leve e fresca, de preferência de algodão e, ao andar ao ar livre, use chapéu de abas largas e óculos de sol dos bons; use protector solar com índice de protecção de trinta ou superior e aplique de duas em duas horas e não deixe idosos nem crianças com menos de seis meses estar expostas ao sol; evite permanecer dentro do carro, exposto ao sol, nem deixe crianças, doentes, idosos ou animais dentro do carro ao sol; diminua os esforços físicos e repouse frequentemente em locais à sombra, frescos e arejados.

Então, o tema de hoje é o glúten. Está na moda comer coisas sem glúten. Contudo, o glúten só faz mal ao 1% da população que sofre de doença celíaca. Para todos os outros, deixar de comer glúten — bem não faz e pode até fazer mal.

Doença cardiovascular

Ao contrário da teoria dos não-celíacos aderentes à dieta sem glúten, abandonar o glúten não só não protege o coração como parece até, em casos extremos, estar associado a um ligeiro aumento do risco de vir a ter doenças do coração.

Deficiências nutricionais

Dado que o maior fornecimento de glúten provém dos cereais, livrar-se do glúten significa consumir menos cereais. Como os cereais têm nutrientes importantes, quem faz dietas sem glúten acaba a ter défices nutricionais, a começar pelas fibras, que protegem do cancro do cólon e das doenças cardiovasculares, e a continuar pelas vitaminas e os sais minerais.

Obesidade e diabetes

Os fabricantes compensam habitualmente a retirada do glúten com a adição de sal e gordura. O resultado é a dieta sem glúten fazer engordar. Junte-se a menor ingestão de fibras, que protege da diabetes, e está o caminho aberto para a doença.

Arsénio e metais pesados

Os consumidores de produtos sem glúten têm maiores concentrações de arsénio, que chega a atingir níveis tóxicos, e doutros metais pesados, provavelmente porque consomem mais arroz e frutos do mar.

Custo

A dieta sem glúten, além de fazer pior a pessoas saudáveis, é mais cara. Os alimentos sem glúten chegam a custar três a quatro vezes mais do que os equivalentes com glúten.

Conclusão

Se quiser mesmo fazer uma alimentação saudável, esqueça as modernices da televisão e concentre-se antes nas frutas, nos vegetais, nos cereais integrais, nas fibras e nos alimentos não processados.