Por Gustavo Martins-Coelho


Retomo hoje aquele que é o tema recorrente deste espaço [1]: as medicinas pré-científicas [2]. Depois da acupunctura [3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21], da medicina antroposófica [22], da auriculoterapia [23], da saúde holística [24,  25, 26] e da homeopatia [27, 28, 29], hoje é a vez da terapia horticultural, ou hortoterapia, da oncologia integrativa e da bio-ressonância.

Basicamente, a hortoterapia é uma abordagem terapêutica em que a jardinagem é usada como meio para melhorar o bem-estar social, emocional, educativo, psicológico e físico do indivíduo.

Embora o princípio me pareça interessante, até porque é uma intervenção barata e que não requer profissionais altamente qualificados para a pôr em prática [30], a documentação científica sobre o tópico é escassa. Sabe-se que a jardinagem pode ser benéfica para o bem-estar das pessoas com demência [30, 31, 32], esquizofrenia, depressão e cancro em estádio terminal [31].

No caso da oncologia integrativa, não há um único estudo que fundamente o uso de práticas ditas tradicionais (que são aquilo a que eu chamo de pré-científicas) como complemento ou em substituição das terapias mais avançadas que a medicina tem para oferecer no tratamento do cancro.

Ao contrário da jardinagem, que, como disse previamente, apesar de não estar cientificamente documentada, me parece uma ideia com algumas pernas para andar, a bio-ressonância não passa de banha da cobra. A ideia de que podemos usar ondas electromagnéticas para diagnosticar e tratar doenças não está errada: afinal, as radiografias, as TAC e as ressonâncias magnéticas são exactamente isso — ondas electromagnéticas usadas para diagnosticar doenças. Mas, precisamente por isso, sabemos que há coisas que funcionam e são essas que usamos na prática médica; e sabemos que há outras que não funcionam e chamamos-lhes banha da cobra…

Portanto, no meio de tanta coisa que não funciona, mais nos vale passar ao objecto do dia, porque — esse sim — funciona. Falemos então da pasta de dentes. A fórmula mais antiga de pasta de dentes conhecida data do ano 4 d. C, vem do Egipto e é uma mistura de sal, menta, lírios secos e pimenta, tudo em forma de pó. Já a primeira pasta de dentes moderna foi lançada pela Colgate em 1873, mas o maior avanço aconteceu, quando se descobriu a importância do flúor na prevenção das cáries, o que levou, após anos de investigação, ao lançamento, pela Proctor & Gamble, de pasta com flúor. Felizmente, evoluímos bastante desde o tempo dos egípcios e passámos a dar muito mais importância à higiene oral.