Por Fábio Morgado


A 30 de Agosto, foram entregues os prémios da UEFA para os melhores jogadores em cada posição e o melhor jogador a actuar na confederação europeia.

Sem dúvida alguma, os jogadores do Real Madrid arrecadaram todos os prémios; apesar de Cristiano Ronaldo ser jogador da Juventus agora, o prémio de melhor avançado foi pela prestação no clube blanco.

Na minha opinião, todos os prémios foram bem entregue, incluindo o de melhor jogador a actuar na Europa. Luka Modric tem uma história digna de conto de fadas. Não estou aqui para apresentar a biografia do jogador, mas não posso deixar de realçar as dificuldades por que passou até chegar onde chegou e como isso o torna um exemplo a seguir.

O atleta teve uma infância horrível. Após a Croácia pedir a independência da Jugoslávia, aldeia onde morava foi alvo de inúmeras ofensivas militares, numa das quais o seu avô foi morto em frente de sua casa. Este evento levou a que a sua família fugisse para a cidade de Zadar, tornando-se refugiados de guerra. Nessa cidade, mesmo em tempo de guerra, a paixão pelo futebol não morreu e Modric foi recrutado para o clube de futebol. O tempo foi passando, a vida melhorou e a criança tornou-se um jovem adulto, que foi jogar para o Dínamo de Zagreb, onde chamou a atenção dum dos melhores clubes ingleses — o Tottenham. A sua influência notou-se, porque ele levou esta equipa inglesa de volta à Liga dos Campeões quase cinquenta anos depois. A qualidade era tal, que, em 2012, foi contratado pelo Real Madrid, mas, na primeira época, foi considerado a pior contratação desse ano pelos espanhóis. Conhecendo a afición espanhola, sempre muito fervorosos em relação aos seus clubes, esta situação criou uma pressão adicional sobre o atleta. O resto, como dizem, é história — e essa já a conhecemos, especialmente a mais recente.

Voltando novamente à gala do último dia 30, Cristiano Ronaldo deixou uma imagem muito má. Todos sabemos que este é um vencedor nato e uma das piores características dum vencedor é não saber perder, porque não está habituado.

Ao saber antecipadamente que não iria ganhar o prémio de melhor jogador europeu, Ronaldo decidiu não comparecer à gala. Não sei se iria sentir vergonha ou achar-se ridicularizado, porque um antigo colega seu foi considerado melhor; se não queria cruzar-se com a comitiva madrilena; são inúmeras as hipóteses! Para piorar a situação, tanto o seu empresário como a sua irmã vieram a público dizer que era uma vergonha a entrega ao jogador croata, que tinha sido um roubo. Estas atitudes naturalmente incendiaram os ânimos da massa adepta (não interessa se são pró-Ronaldo ou contra).

Já num artigo anterior [1] eu afirmei que Modric era o favorito a ganhar o prémio de melhor do mundo e que as casas de aposta davam 70% de hipóteses a Ronaldo. Infelizmente para o atleta madeirense e seus adeptos, os prémios da UEFA são um barómetro de quem vai ganhar o prémio de melhor do mundo, porque, se é na Europa que se pratica o melhor futebol, então o melhor jogador do mundo está na Europa; e, se Modric é o melhor jogador a actuar na Europa para a UEFA, será também o melhor do mundo.

No mundo do cinema, existe a mesma situação: os «British Academy Film Awards», conhecidos por BAFTA, são um barómetro para os Óscares. Os vencedores destes prémios são os favoritos a ganhar o prémio da Academia norte-americana e são os prémios mais valorizados no mundo do cinema.

Espero que Ronaldo apareça no prémio The Best, que galardoa o melhor do mundo, e, se souber que vai perder, ao menos faça como as estrelas de cinema fazem quando não são os galardoados: dê uma salva de palmas e mostre uma cara graciosa.