Por Fábio Morgado


No Domingo passado, jogou-se mais um dérbi, entre o Benfica e o Porto. Não foi propriamente o jogo mais emocionante. A maior crítica feita ao jogo foi ao árbitro, não por influenciar o resultado, mas mais por influenciar a forma como se jogou e que, de certa maneira, retirou espectáculo do jogo. Ou seja, marcou demasiadas faltas.

Desde miúdo, sempre ouvi dizer que o futebol é para homens. É uma expressão sexista, mais não seja porque já vi mulheres a jogar com muito mais intensidade e garra do que certos homens — e não se vitimizando por serem mulheres, como certas outras atletas fazem [1]. Mas, voltando à expressão que mencionei anteriormente, a mesma era utilizada com jovens ou crianças, de modo a não se queixarem duma falta ou do cansaço, até porque nenhum adolescente ou criança do sexo masculino quer ser comparado a meninas, porque é garantido que serão alvo de chacota por isso.

O que é irónico é que os jogadores profissionais são tratados como meninas, nos dias que correm. Se há o mais mínimo toque, o jogador em posse da bola tende a lançar-se para o chão, rebolar cinco ou seis vezes e gritar como estivesse a ter um filho. Claro que existem excepções, como o caso do Neymar, que nem precisa de ser tocado para reagir desta maneira…

A isto, chama-se teatro, para tentar influenciar o fiscal. Um dos lances mais engraçados de que me lembro foi o Jorge Costa, grande defesa do Porto e da nossa selecção, a tocar no pescoço do Liedson e este jogar-se para o chão.

Por alguma razão, o futebol inglês é considerado o melhor do mundo. Além de ter várias equipas a lutar pelo primeiro lugar, os árbitros são muito menos exigentes, permitindo contacto físico, dentro das leis do jogo. Isto leva a que o tipo de futebol praticado seja mais intenso; é um jogo mais rápido com bola lá, bola cá, o que torna o espectáculo mais agradável.

Claro que estas atitudes em campo resultam duma estratégia defensiva do jogador, quando percebe que vai perder a bola. Ao simular uma falta, impede que o adversário efectue um contra-ataque e dá tempo para a defesa se recompor. É uma táctica como todas as outras, mas não é a mais eficaz. O Benfica, nos confrontos em casa com o Porto, tem tendência sempre a jogar à defensiva, baixando as linhas e queimando tempo, não atacando para manter a posse de bola.

Lembro-me de que, no ano em que o Porto foi campeão na Luz, o Benfica até chegou a estar em vantagem, mas dedicou-se a tentar defender a mesma e acabou perdendo o jogo. No ano passado, o Porto foi campeão porque o Benfica estava contente com o empate a zero que os mantinha na liderança. O último jogo em que não me lembro do Benfica jogar à defensiva contra o Porto foi exactamente na última vitória do emblema da Luz contra os Dragões, há quatro anos. A equipa sentia-se extremamente motivada, devido à morte do melhor jogador benfiquista de sempre — o Pantera Negra, Eusébio.

No último dérbi, aconteceu a mesma coisa: o Benfica voltou a ter de defender e a sofrer. Quando o defesa do Benfica recebeu segundo amarelo e consequente vermelho, tenho de admitir que achei o segundo amarelo injustificado, porque foi um lance dividido.

Em resumo, foi um jogo sem brilho e de sofrimento para ambas as equipas.

A melhor defesa é um bom ataque e, se ambas as equipas tivessem atacado mais e mergulhado menos, teria sido um espectáculo muito mais agradável.