Por Fábio Morgado


Caro leitor, feliz ano novo! Espero que o seu ano seja o oposto da liga portuguesa, ou seja, com muito espectáculo, com muita paz e que ninguém seja despedido.

O ano começou bem para os adeptos benfiquistas, apesar da derrota por 2–0 contra o Portimonense: a fonte do seu sofrimento foi eliminada do clube. Rui Vitória já não é treinador dos encarnados. O senhor que se segue? Só o presidente sabe.

A comunicação social está em alvoroço. Já não há notícias de emails, tudo o que é artigo tem por base listas de treinadores que estão livres — José Mourinho, Lopetegui, António Conte e outros grandes nomes.

Vamos ser realistas: o Benfica não tem dinheiro para esses grandes nomes; e mais: muitos deles preferem campeonatos mais competitivos. Portugal já teve grandes nomes do futebol, treinadores como Bobby Robson, Jupp Heynckes, Sven Goran Eriksson, Mourinho, entre outros. Todos eles estiveram cá numa fase da carreira em que Benfica, Sporting e Porto eram nomes apelativos para quem não tinha nome no mundo do futebol. Infelizmente, é a realidade do nosso futebol: não tem a projecção mundial nem o dinheiro para manter activos de calibre mundial.

Falo dos treinadores como posso falar dos jogadores de renome, que só voltam a Portugal para acabar a carreira, como foi o caso do Rui Costa e agora, recentemente, do Pepe. Os talentos que vêm da América do Sul, muitas vezes, vêm com o discurso «Portugal é a porta de entrada para a Europa». Antes de mais, os seus empresários deviam avisá-los para não terem esse tipo de discurso, porque assim retiram importância ao nosso futebol e até ao nosso país. «Estou só cá de passagem, em busca de lugares melhores». São pseudo-vedetas com manias.

Portugal, muitas vezes, é o país escolhido por jogadores latino-americanos, porque tem um clima e uma língua parecidos com os seus países de origem, sejam o Brasil ou a Argentina, mas é mais avançado futebolisticamente.

A ironia desta situação é que grande parte destes jogadores acaba por não ter sucesso profissional. Lembro-me do Bruno César, quando veio para o Benfica. Disse exactamente o que mencionei anteriormente. Jogou no Benfica, foi para a Arábia Saudita, voltou para Portugal para jogar no Estoril, foi para o Sporting e, recentemente, voltou para o Brasil.

O oposto do Bruno César é o Eder Militão, do Porto. Entrou em Portugal com um estatuto de pérola brasileira, dedicou-se e trabalhou a fundo, sem vedetismo, e, seis meses depois, meia Europa está atrás deste jogador. Tenho de dar os parabéns aos olheiros do Porto, porque parece que quase todos os anos arranjam um negócio destes.

O Luís Filipe Vieira que não atire areia para cima dos adeptos do Benfica, a dizer que não falta dinheiro, porque o próximo treinador do Benfica será certamente Jorge Jesus. É o único, com algum talento e algum reconhecimento europeu, dentro das posses do clube; e, certamente, não irá para a China, porque, por muitos defeitos que tenha, adora competição.

Quanto ao resto da época, o treinador será Bruno Lage. Os encarnados estão efectivamente a atirar a toalha ao chão numa altura em que ainda falta meia época. Com um treinador não interino, tudo seria possível.