Por Fábio Morgado


As competições europeias estão de volta. Esta é a fase da época, para muitas equipas, que decide muita coisa. As maiores equipas com aspirações à conquista dos títulos europeus encaram os conflitos internacionais como uma maneira de salvar uma época menos positiva. Falo, por exemplo, do Real Madrid na Liga dos Campeões, ou do Chelsea e do Inter de Milão na Liga Europa.

Existe um factor muito importante nestes jogos, que muita vezes a cegueira clubística não deixa ver: o ranking do nosso futebol.

Qual a importância deste ranking? Bem, este decide quantas equipas podem representar um país. Neste momento, Espanha está em primeiro lugar, o que lhe permite ter sete equipas nas competições europeias: três com entrada directa na Liga dos Campeões e outras três na Liga Europa; e uma sétima equipa que tem oportunidade de competir por um lugar na Liga dos Campeões, através duma eliminatória, e, caso de derrota, tem vaga garantida na Liga Europa. Portugal encontra-se na sétima posição, o que lhe permite ter três equipas garantidas na Europa do futebol, de um total de cinco. Uma garantida na Liga dos Campeões, uma garantida na Liga Europa uma a jogar a eliminatória de acesso à Liga dos Campeões e lugar garantido na Liga Europa, em caso de derrota. As outras duas equipas terão de jogar uma eliminatória de apuramento para a Liga Europa e, em caso de derrota, não acedem às competições europeias.

Tirando a importância do marketing da região do clube, como referi no meu último artigo [1], existe outro factor importante. As equipas que participam nestes torneios internacionais recebem um prémio de participação que é mais generoso do que os apoios dados no nosso país. Por exemplo, a qualificação para a fase de grupos da Liga dos Campões dá um prémio de quinze milhões de euros; e cada vitória rende mais 2,7 milhões. É dinheiro. Por exemplo, enquanto, para Benfica e Porto, é uma ajuda no orçamento, que complementa merchandising, publicidade e direitos televisivos (onde se encontra maior fatia do bolo), para um clube mais pequeno, como o Sporting de Braga, que é bem mais desconhecido, estes quinze milhões podem ser a almofada de que o clube precisava para ter uma época bem mais tranquila, a nível financeiro.

Um clube que se encontra numa competição europeia é sempre mais apelativo do que um clube que não está. A profissão de futebolista é das melhor pagas do mundo, mas tem muita exigência a nível físico e psicológico e é de curta duração, pelo que os atletas querem chegar ao topo o mais depressa possível, para ganharem mais por mais tempo. A melhor maneira de se exibirem é estar nas maiores «montras». Duvido que um jogador, por exemplo, do Braga, que marque três golos contra o Portimonense vá ter a mesma projeção internacional que terá se marcar um só golo que dê a vitória contra o Arsenal. No dia a seguir, esse atleta é conhecido por toda a Europa como a pessoa que derrotou um gigante inglês, chamando para si a curiosidade de clubes ingleses ou espanhóis, por exemplo, que têm muito mais poder económico do que o Braga.

Estas situações atraem jovens jogadores para Portugal. Temos o exemplo perfeito do Éder Militão, que escolheu vir para o Porto porque está na Liga dos Campeões, fez boas prestações e tem meia Europa atrás dele. Se este atleta atingir o potencial esperado, irá ser um dos melhores do mundo na sua posição, com muitos fãs, entre eles jovens atletas que irão querer seguir as suas pisadas. Então, quem sabe, daqui a dez anos, teremos uma nova promessa brasileira no Porto, que terá escolhido os azuis e brancos porque o seu ídolo de infância e adolescência começou a sua aventura europeia no Porto.

A qualidade futebolística de um país depende muito das competições em que os clubes do dito país participam. É preciso haver uma seriedade em especial nos jogos a eliminar, porque não é só a saúde financeira do clube que está em causa; é também o nosso ranking e o bom nome do Portugal desportivo que estão em jogo.