Por Fábio Morgado


No ano passado, estava a ver um episódio da série «Ficheiros secretos», uma série televisiva icónica, de dois agentes do FBI que resolvem mistérios relacionados com extraterrestres.

Uma das aventuras da mais recente temporada está relacionada com o efeito Mandela. Não conhecia este efeito e até achei que era algo inventado, mas a verdade é que é real e fiquei entusiasmado para falar deste efeito ao leitor, mas nunca chegava a oportunidade perfeita para o fazer, porque não encaixava no que escrevia.

Até este fim de semana, no jogo Moreirense–Benfica, e o que se lhe sucedeu durante a semana. Mas vamos por partes.

O que é o efeito Mandela? O efeito Mandela é um fenómeno em que um enorme grupo de pessoas tem a mesma memória falsa. Tudo começou em 2013: imensas pessoas afirmavam lembrar-se de que Nelson Mandela, líder sul-africano, havia morrido nos anos oitenta do século passado, ao ponto de garantirem terem visto reportagens e coberturas do seu funeral. Se o leitor não é vítima deste efeito, lembra-se de que este senhor morreu precisamente em 2013.

Ao fazer pesquisa, encontrei vários casos do efeito Mandela. Admito que muito deles não me disseram nada, mas encontrei um que admito que me arrepiou. Partilho-o de seguida, sabendo que, infelizmente, só para quem viu o filme que vou referir na sua língua original é que fará sentido.

Um dos filmes animados mais famosos de sempre é a «Branca de neve». Toda a gente conhece a história: Branca de Neve foge da Rainha Má e vai viver com sete anões. A Rainha tinha um espelho mágico, ao qual ela fazia uma pergunta que se tornou memorável geração após geração:

— Mirror, mirror, on the wall, who is the fairest of them all?

Ou não: a fala correcta é:

— Magic mirror on the wall, who is the fairest one of all?

A verdade é que, após consultar o clipe no Youtube, verifiquei que eu próprio sofria do efeito Mandela.

Outro caso que me afecta pessoalmente é a canção «We are the champions», dos Queen. Enquanto escrevo este artigo, consigo ouvir a música na minha cabeça, com Freddie Mercury a acabar dizendo: «cause we are the champions of the world». A verdade é que a canção não acaba com «of the world»

Estes são dois exemplos que me tocam muito perto e me deixam perplexo, mas que tem este efeito que ver com o jogo do Moreirense–Benfica?

Bem, eu estava a ver o jogo e, sinceramente, lembro-me dum golo anulado por fora de jogo ao Moreirense, o qual considero que seria um golo legal. Ora, o jogo acabou e passaram-se vários dias, até que estava a jogar um jogo de equipa ao estilo de «Fortnite» no computador e, na minha equipa, estava um conhecido do Porto. Estávamos a falar civilizadamente de futebol, quando ele me pergunta

— Ouve lá, aquele golo anulado ao Moreirense entrou ou não na baliza? — ao que prontamente respondi que sim.

Ele disse então que os benfiquistas andavam todos a dizer que a bola nem tinha entrado. Como não utilizo Facebook, não leio comentários em jornais desportivos nem frequento blogues benfiquistas, achei que o meu colega de equipa estava meramente a provocar-me. Mas decidi dar uma vista de olhos pelos comentários do «Record» e de «A bola», só para ter a certeza, e deparei-me com vários comentários de pessoas afectas e não afectas ao Benfica a afirmarem que a bola não tinha entrado. O boato cresceu, ao ponto do «Record» ter publicado uma notícia com o título: «Imagens inéditas mostram que a bola entrou na baliza no Moreirense-Benfica» [1]. Via-se na publicação o guarda-redes a entrar na baliza para retirar a bola de lá, resolvendo de vez este mistério.

A minha questão é: presenciamos um efeito Mandela, que foi prontamente resolvido porque havia provas «frescas», ou eram as palas dos benfiquistas e anti-portistas em acção?…

Pessoalmente, espero que seja o efeito Mandela, porque é demasiado interessante!…