Por Gustavo Martins-Coelho


Depois do desabafo sobre o «Prós e contras» [1], vamos lá então falar um pouco mais de medicina tradicional chinesa [2].

Um aspecto que eu tenho abordado pouco é a questão dos riscos. Tenho-me focado mais em explicar como se valida uma prática cientificamente [3, 4]; em apontar a resistência das práticas não científicas a deixarem-se testar e validar pela ciência; e em descrever o falhanço generalizado, salvo muito raras excepções, dos esforços em validar cientificamente a sua utilidade, permitindo afirmar, com alguma confiança, que, regra geral, de nada servem. Mas a questão do risco não é despicienda.

Poderíamos dizer: não está provado que ajude, mas não custa tentar, porque mal não faz. Bom, a questão é que faz. Muitas das práticas da medicina tradicional chinesa, incluindo a acupunctura, a ventosaterapia, a moxabustão e outras, podem provocar um sem-número de complicações, nomeadamente dermatites de contacto, intoxicação por metais pesados e reacções adversas cutâneas graves [5]. A questão é que estas práticas, ao contrário dos medicamentos clinicamente testados, não vêm com bula, para assustar…

Outra coisa de que não tenho falado muito é do mecanismo de acção. Não tenho falado, porque não é fundamental, na análise da eficácia duma prática médica. Se soubermos como funciona, melhor. Mas, se só soubermos que funciona, mesmo que não saibamos como, não há razão para não a utilizarmos. Ainda assim, o contrário também é verdadeiro: devemos esforçar-nos ao máximo por compreender por que determinada coisa é assim e não de outra maneira [6]. Uma característica comum às medicinas pré-científicas é continuarem agarradas a explicações milenares, baseadas em conceitos etéreos, mágicos mesmo, sem qualquer plausibilidade biológica ou científica.

Entretanto, já que falamos de lesões da pele, vejamos se, além de as causar, a medicina tradicional chinesa também as pode tratar. Alguns preparados tradicionais chineses foram identificados como tendo potencial contra a dermatite de contacto [7]. Porém, o tratamento recomendado continua a ser à base de corticosteróides.

Igualmente, no caso da urticária, há estudos que apontam no sentido de que alguns preparados tradicionais chineses possam ser eficazes no alívio dos sintomas e na prevenção de novos episódios. Porém, são, como já vem sendo hábito, estudos de fraca qualidade e, portanto, insuficientes para aceitarmos estas práticas como comprovadas [8].

De igual forma, os preparados tradicionais chineses também foram experimentados no tratamento de úlceras da pele causadas pela diabetes e parecem ter alguma utilidade, mas são precisos dados mais sólidos [9].

Além disso, mesmo acreditando nos estudos, apesar da sua qualidade duvidosa, é preciso não esquecer que estes apenas sugerem que a medicina tradicional chinesa possa ser útil no tratamento dos sintomas. A eliminação da causa continua além das capacidades da medicina tradicional chinesa [10].

O objecto do dia é hoje a lâmpada eléctrica. A lâmpada eléctrica foi comercializada pela primeira vez em 1880, tendo revolucionado praticamente todos os aspectos da vida humana. Hoje em dia, a iluminação eléctrica aumenta a produtividade nas fábricas e nos escritórios, reduz o crime nas ruas, e minimiza o risco de incêndios domésticos causados por velas ou candeeiros a petróleo. A lâmpada eléctrica evoluiu imenso, desde os seus primórdios, e estamos à beira duma nova mudança notável na qualidade e na eficiência energética da iluminação, com a introdução dos díodos emissores de luz, vulgarmente designados pela sigla inglesa «LED».

Eu ainda me lembro de, há pouco mais de vinte anos, ter aprendido, nas aulas de ciências físico-químicas do terceiro ciclo, que existia uma nova tecnologia, o LED, que estava a dar os seus primeiros passos e era muito promissora. Na altura, os LED eram artefactos existentes apenas em laboratórios e que emitiam luz vermelha. Hoje em dia, existem de todas as cores e são aplicados nas nossas casas, nos nossos carros, etc., etc. Mas, enquanto o mundo desenvolvido caminha para o LED, muitas pessoas nos países menos desenvolvidos não têm sequer acesso à mais rudimentar forma de iluminação eléctrica. Parecendo que não, levar luz ao mundo inteiro é que seria uma mudança formidável!