Por Fábio Morgado


Tal como a Vítor Bruno, jogador do Feirense, também a mim o futebol já não fascina.

Não tenho muito talento para o desporto, em especial o futebol, por isso transmito a minha vontade de vencer para os e-sports, nomeadamente «FIFA». A versão «FIFA 18», joguei-a religiosamente de Setembro de 2017 a meados de Junho de 2018; sempre disse aos que me rodeavam que iria jogar sem parar, até que saísse a edição seguinte. A verdade é que deixei de jogar em Fevereiro deste ano, porque a programação do jogo estava orientada no sentido de ajudar muito a equipa que estava a ser dominada. Ou seja, comecei a sentir-me prejudicado por jogar melhor do que o adversário e isso fez-me desistir do jogo por agora e concentrar-me noutro, chamado «Apex Legends», que é muito menos influenciado pela programação e mais baseado em habilidade.

Eu percebo o jogador Vítor Bruno, realmente percebo: eu, mesmo sendo benfiquista, tenho de admitir que o Benfica foi ajudado ante os fogareiros. Eu não vi o jogo com a atenção devida, porque estava a trabalhar, mas, como parece que o nepotismo está na moda, baseio-me no que comentou comigo o meu primo, o qual, sendo um benfiquista ainda mais acérrimo do que eu, foi o primeiro a admitir, a minutos tantos de jogo, que o Feirense deveria estar a ganhar 2-0. Ouvi-o também afirmar que o penálti a favor do Benfica fora um pouco forçado — que o Pizzi foi realmente tocado, mas ainda deu dois passos em frente e só quando percebeu que não chegava à bola é que caiu. Para um jogador que é maestro da equipa encarnada, é preciso ser um pouquinho mais esperto.

Uma equipa que está a dar o seu melhor e se vê prejudicada desta maneira, obviamente, desanima; e isso esteve porventura na base da goleada final — 1-4. O Benfica a ganhar desta maneira deixa-me desgostoso; e o circo mediático que veio depois tira-me totalmente o fascínio pelo desporto.

A reação do director de comunicação do FC Porto já se esperava, mas não deixa de ser vergonhoso, apesar de ser o trabalho dele (haver alguém com esse trabalho é que talvez seja motivo de reflexão).

O Feirense a criticar a arbitragem é que é novo, porque, normalmente, estas equipas não têm o peso histórico e desportivo suficiente para serem levados a sério e acabam por seguir para o jogo seguinte sem fazer grande escarcéu — como, de resto, é bom lembrar, aconteceu quando o Feirense foi prejudicado em pleno estádio do Dragão; não o vi fazer o mesmo barulho que agora. Eram outros tempos; ainda havia muita época pela frente e não havia o nervosismo que há neste momento; agora, faltam poucas jornadas e este clube é um forte candidato a descer de divisão.

Mas o que mais me desiludiu foi a atitude encarnada. Responder ao FC Porto já é a atitude de rebaixamento habitual, mas responder ao Feirense que, «se corressem como correram hoje, estavam a lutar pela a Europa»… Esta resposta não tem cabimento. Uma equipa de futebol só joga o que a outra deixa jogar e, normalmente, as equipas pequenas encolhem-se contra as grandes, porque preferem o empate. Logo, dão mais espaços. O Feirense fez o oposto disso e jogou olhos nos olhos. Se o Feirense correu muito é porque o Benfica e os seus treinadores e jogadores não tiveram capacidade de os parar.

O Benfica fica mal na foto, seja pela forma como ganhou, seja pela forma como jogou, seja pelos comentários infelizes. Isto assim não me fascina, porque demonstra duas coisas: falta de respeito por um clube de menor dimensão e falta de noção pelos lados da Luz.

Seria mais honesto (e eu gostaria de ter visto) o Benfica admitir: fomos beneficiados e lamentamos que tenham sido prejudicados, porque no fundo o resultado estava decidido e já não havia maneira de o mudar.