Por Fábio Morgado


O leitor que me segue desde o início [1] já partilhou comigo variados temas, diversos tipos de artigos e algumas histórias pessoais, que incluo quando vêm a propósito e dão coerência ao que escrevo. Mas, numa coisa, sempre me mantive constante: serei sempre o primeiro a criticar o que acho que está mal e, muitas vezes, o meu clube é o visado [2]. Por isso, sinto-me à vontade para, ocasionalmente, defender o Benfica, sem que isso signifique que passeio por aí umas palas benfiquistas…

Por norma, cada artigo meu aborda um assunto isolado. Porém, hoje tocarei em três assuntos diferentes, mas os quais verá o leitor que conduzem ao mesmo resultado.

Após o jogo entre o Benfica e o Eintracht Frankfurt, o treinador da Luz pediu para não se fazerem capas em relação a João Félix, ou Feliz, dependendo de que comentador está a falar. O intuito deste pedido foi não criar pressão desnecessária sobre o jovem jogador, visto que, da última vez que se criou um frenesim à sua volta, ele deixou de render. A verdade é que a comunicação social fez capas sobre capas com a promessa portuguesa nos sítios dos diários desportivos: eram notícias sobre putativas contratações do atleta, do seu valor (em milhões de euros), um corrupio de clickbait — termo utilizado para designar títulos destinados a atraírem visualizações e, assim, aumentarem o rendimento monetário do jornal, visto que existe sempre publicidade associada ao título noticioso em que o incauto cibernauta clica (os reis desta estratégia estão na redacção do Correio da Manhã, diga-se de passagem).

Após o jogo contra o Marítimo, Petit, antigo jogador encarnado, admitiu que forçou amarelos, de modo que dois jogadores influentes não jogassem contra o Benfica. Como se diz, caiu o Carmo e a Trindade: os jornais desportivos fizeram desta notícia a capa principal. Vamos ser honestos: o Marítimo está a fazer uma época terrível e Petit não é o melhor treinador que anda por aí, mas ele sabe que a hipótese de ganhar ao Benfica é remota, logo vai limpar os amarelos dos jogadores mais influentes, para estes não terem um jogo de castigo nas últimas quatro jornadas, caso apanhem um amarelo por uma falta propositada. É uma estratégia de jogo, da qual Petit não será o único proponente, e não propriamente favorecimento; pena é que Petit foi honesto e ficou mal visto.

Por fim, no dia seguinte ao jogo da Juventus com o Ajax, era notícia que as irmãs de Cristiano Ronaldo haviam mandado indirectas à equipa da Juventus. Não é a primeira vez que elas se metem na vida do irmão, mas isso não é para aqui chamado; no improvável caso de, um dia, criar uma coluna sobre a vida dos outros, falarei do assunto. O que — sim — é para aqui chamado é que as irmãs de Cristiano Ronaldo, basicamente, disseram que o jogador fez o trabalho dele (facto: marcou dois golos) e que a equipa não fez a parte que lhe competia — especialmente a defesa, porque dois dos três golos sofridos nos quartos-de-final foram culpa da defesa, que foi extremamente passiva.

As capas, sejam de jornal como de sítios desportivos, deixaram de ser informação e passaram a ser um antro de publicidade enganosa, que serve para desestabilizar pessoas, carreiras e assuntos que deveriam ser banais. O pior é que o mundo, hoje em dia, sente a necessidade de partilhar tudo o que lhe vai na cabeça, o que até nem seria mau, se fossem pensamentos construtivos. Só que não são: andamos todos a resmungar contra tudo e mais alguma coisa.

Às vezes, pergunto-me se não seria vantajoso acabar com a internet, ou, pelo menos, com as redes sociais, devolvendo às pessoas o tempo que aí passam improdutivamente. Resta saber se estas investiriam esse tempo livre em coisas produtivas…