Por Fábio Morgado


Sempre defendi que o vídeo-árbitro é apenas uma ferramenta para auxiliar o juiz da partida a tomar da melhor maneira possível as decisões que lhe competem. É certamente mais difícil prejudicar e favorecer certas equipas e, para bem e para o mal, acho que esta ferramenta veio para ajudar, apesar de ter falhado em diversas ocasiões — como, por exemplo, há umas semanas, no Feirense–Benfica. Infelizmente, as equipas grandes acabam sempre por ser mais favorecidas e o VAR acaba por servir para que haja jogos mais justos entre equipas pequenas: faz-me lembrar um departamento de recursos humanos numa grande empresa — apresentam-se como o departamento para ajudar qualquer trabalhador, mas, na verdade, estão lá para proteger a empresa e os seus profissionais mais influentes.

Ora, na competição mais importante de clubes, que é a Liga dos Campeões, nos quartos-de-final (que têm apenas as oito melhores equipas da Europa), o FC Porto foi fortemente prejudicado no jogo da primeira mão, há duas semanas, com um penálti por marcar e uma entrada assassina de Salah sobre Danilo Pereira que até nos campeonatos mais violentos seria considerado vermelho direto (o que impediria o jogador de alinhar na segunda mão, reduzindo a qualidade do ataque do Liverpool). O VAR não interferiu nestes lances, o que é duvidoso: porque os árbitros têm acesso às repetições; e porque os lances não foram confusos, no meio de muitos jogadores.

No duelo das equipas inglesas, Manchester City contra Totenham, no lance do terceiro golo da equipa de Londres, vê-se claramente que houve mão do jogador, porque esta interferiu com a trajectória da bola. O árbitro consultou o VAR e decidiu validar o golo. Não faço ideia de que repetição lhe mostraram, mas é uma decisão muito pobre.

Enquanto creio que, no jogo do Porto, possa ter havido mão da Europa, porque, em termos económicos, é mais vantajoso ter equipas da Liga inglesa para vender os direitos das transmissões televisivas, acredito que o outro jogo de que falei foi mesmo uma má decisão do árbitro. Em ambos os casos, é vergonhoso que estes árbitros, que deveriam ser o escol do futebol mundial, cometam erros infantis, sejam propositados ou não.

Pior do que isto tudo, é as competições de nível internacional não terem sequer vídeo-árbitro.

O Benfica foi claramente prejudicado por não haver um VAR num jogo da Liga Europa, que é a segunda competição europeia mais importante de clubes. Lembro-me de quando o vídeo-árbitro estava a ser testado: na extinta Taça UEFA, que foi substituída pela Liga Europa. Por que não está agora implementado este sistema, que já tem provas dadas? Não existe coerência nenhuma…

Para os adeptos que não são nem do FC Porto nem do Benfica, lembro-vos que na qualificação para o Campeonato Europeu, que é a prova mais importante a nível internacional de selecções da Confederação Europeia, do qual nós somos campeões em título, também não existe VAR e que fomos prejudicados contra a Polónia, com um penálti claro, que ficou por marcar.

Não percebo — garanto que não percebo. Gostaria de ter uma explicação plausível para o motivo por que certas provas têm VAR e outras não; e por que árbitros da elite mundial cometem erros infantis. Acho que vamos ter de pôr um árbitro em cada linha do campo e mais um para cada metade do campo, porque, com tanta tecnologia, ainda haver tantas falhas, acho que já não é incompetência — é mesmo de propósito.