Por Fábio Morgado


O apoio dos adeptos às equipas de futebol é fundamental, tendo um efeito psicológico positivo ou negativo, dependendo da reacção dos adeptos. Um termo muito utilizado para incluir os adeptos no espírito da equipa é que estes são o décimo-segundo jogador — e é verdade: os adeptos também jogam. Podem assustar o adversário, especialmente aqueles que são mais fracos psicologicamente. Daí alguns estádios serem conhecidos como, por exemplo, o Inferno da Luz — referente ao Benfica — e o Inferno de Istambul — casa do Galatasaray. São estádios conhecidos pela intensidade dos fãs da equipa da casa.

Penso que o leitor percebe, por esta pequena introdução, o tema que vou abordar: a revolta dos Super-Dragões; e, infelizmente, terei de falar, mais uma vez [1, 2], do seu líder — o Macaco. Este primata segue o F.C. Porto há anos. É uma paixão que tem; não podemos discutir gostos. Também percebo o porquê da dedicação frenética à instituição nortenha: ele sente o clube como poucos; ele sente que as vitórias da equipa são suas também, porque ele é o principal líder do décimo-segundo jogador.

O jogo contra o Rio Ave não correu de feição aos Dragões. O relato que ouvi de amigos portistas é que o F.C. Porto adormeceu e teve azar. São coisas que acontecem. Agora, ter adeptos a virarem-se contra a equipa, a ponto de desrespeitar a instituição, atirando a camisola com o símbolo do clube para o chão e a proibir outros adeptos de aplaudir os jogadores?! Cheira-me a ditadura. Se o Macaco estava infeliz, tem o seu direito a mostrar o seu desagrado. Agora, impedir pessoas menos fanáticas que ele de apoiar a equipa num momento difícil? Digo mais: este ser é um hipócrita, porque ponho as minhas mãos no fogo se, mal soube da infeliz notícia do enfarte do lendário Casillas, não terá sido o primeiro a preparar uma onda de apoio ao mesmo atleta que desrespeitou na Sexta passada. Em que ficamos?…

Há que ser coerentes com o que sentimos. Ou passa-se de besta a bestial porque se teve um azar com a saúde? Parece um funeral, onde o defunto sempre é uma alma excepcional e a melhor pessoa do mundo que parte. Lamento, mas não: se Casillas era mau antes, continua a ser mau mesmo com um enfarte (espero que recupere e que jogue por mais alguns anos, porque ainda é cedo para terminar uma carreira que só pode ser apelidada de lendária).

Um líder não pode ser demasiado emotivo, porque os seus seguidores precisam da liderança duma pessoa calma e composta, algo que o sr. Madureira mostrou não ser por demasiadas vezes. O campeonato não está perdido para o F.C. Porto; só precisam de ganhar e que o Benfica perca, o que é praticamente a mesma situação em que se encontravam antes. Para mim, acho que fica mal ter uma pessoa que se comporta desta forma à frente duma das claques mais famosas de Portugal e quiçá da Europa.