Por Fábio Morgado


Estamos a ter este ano uma Liga dos Campeões surpreendente, para dizer o mínimo!

Eu, neste momento, já nem me lembro do tema que tinha escolhido para o artigo desta semana. Tenho a certeza de que era algo interessante, mas estou tão estupefacto com os resultados apresentados até ao dia de hoje, em que teve lugar o último jogo das meias-finais, que não posso falar doutra coisa.

Normalmente, a Liga dos Campeões é dominada pelos chamados tubarões europeus. Nos últimos dez anos, o Real Madrid ganhou quatro vezes, o Barcelona três, o Bayern Munique uma, o Inter de Milão outra e o Chelsea uma outra. Destes todos, podemos dizer que apenas o Chelsea não é um marco histórico na mais importante competição da UEFA, apesar de ter mais de cem anos de vida. Os restantes, como referi, são tubarões com diversos títulos. Podemos portanto considerar este um ano atípico, em que, desde muito cedo, candidatos a vencer ficaram pelo caminho e após reviravoltas surpreendentes nos resultado — mas concentremo-nos nessas reviravoltas propriamente ditas — ou remontadas, como parece que o termo está a entrar no léxico.

Este termo é um termo espanhol, tornado famoso pelo Barcelona, que, na sua história mais recente, conseguiu transformar resultados muito desfavoráveis em vitórias. Penso que a remontada mais épica, não só do clube, mas da história do futebol, teve lugar em 2017: após perder 4–0 fora, contra o PSG, em Camp Nou, o Barcelona conseguiu um resultado de 6–1, passando a eliminatória.

Nesta temporada da Liga dos Campeões, tivemos diversas remontadas, começando pelo Ajax, que, nos oitavos de final, perdeu em casa 2–1 contra o campeão em título Real Madrid, para ir a casa dos blancos virar a eliminatória, ganhando 1–4. Na mesma fase da competição, o Atlético de Madrid ganhou 2–0 à Juventus, para depois ver a Velha Senhora ganhar em casa 3–0, com hat trick de Cristiano Ronaldo. Não podemos desvalorizar a prestação portuguesa nesta fase da competição: é preciso mencionar que o F.C. Porto, após ter perdido em Roma 2–1, em casa teve um jogo épico de 120 minutos, no qual os nortenhos ganharam 3–1, virando a eliminatória já perto do fim do prolongamento. Com o avanço da competição é normal os jogos serem mais nivelados em termos tácticos, mas as meias finais que ocorreram nestas duas últimas semanas provaram completamente o oposto, em especial nos duelos do Barcelona com o Liverpool. A primeira mão terminou 3–0 a favor dos espanhóis; na segunda, os jogadores da cidade dos Beatles ganharam 4–0. Não foi a uma equipa qualquer, foi provavelmente à melhor equipa do mundo neste momento, com o melhor jogador do mundo neste momento (Messi, pelo que tem feito, não só na Liga espanhola, mas também até na primeira mão das meias finais, é de outro mundo; calhou esta Terça passada estar em dia não).

A segunda meia final teve uma remontada provavelmente tão épica como a do Liverpool. Ao intervalo a perder por 3–0 no total das eliminatórias, o Totenham marcou três golos em 45 minutos em Amsterdão, igualando a eliminatória. Com a regra dos golos fora, os spurs ficaram em vantagem, vantagem essa obtida literalmente no último segundo.

Fico triste pelo conto de fadas do Ajax ter acabado, mas, depois do que os spurs fizeram, arrisco dizer que parecem destinados a ser os vencedores desta edição.

Em ambos os jogos, houve um facto em comum: a equipa que estava na frente deixou-se adormecer, por pensar que o jogo estava decidido. Há que aprender esta lição para o futuro: o jogo só acaba quando o árbitro der o apito final.