Por Fábio Morgado


A época ainda nem acabou e já se está a falar de jogadores que saem e entram — inclusive alguns já anunciados, como Vietto no Sporting (oriundo do Atlético de Madrid, que chegou a bom termo para o pagamento do passe de Gedson, após este ter rescindido com o Sporting no seguimento dos infelizes incidentes na academia dos Leões fez dia quinze deste mês um ano). Existem também rumores de que o guarda-redes costa-riquenho do Real Madrid irá reforçar a baliza dos Dragões, após a mais que provável retirada do futebol de Casillas.

Eu, neste artigo, ainda vou dar um passo maior do que os nossos jornais desportivos e vou falar do próximo melhor do mundo. Precisamente há cerca dum ano [1], falei do melhor do mundo e afirmei que o início da época seguinte influenciaria a escolha do laureado. Eu defendi Modric como merecedor do prémio, apesar de ter uma preferência pessoal óbvia, que o leitor que me acompanha regularmente sabe qual é.

Este ano, defendo que o próximo jogador a ser eleito o melhor do mundo não deverá ser Ronaldo nem Messi, mas Virgil van Dijk. Este jogador, com o seu metro e noventa e três centímetros, foi considerado o melhor jogador da Liga inglesa deste ano.

O dado que mais me impressiona neste jogador é que, nesta época, nenhum outro jogador, individualmente, o conseguiu fintar. Ninguém passou por ele no um-contra-um — e é preciso dizer-se que van Dijk enfrentou jogadores talentosos como Hazard, Salah e Messi!

No total da temporada, em 38 jogos, por vinte vezes a sua equipa não sofreu golos e, no total, sofreu 22 golos no campeonato mais intenso do mundo — e só num destes golos é que van Dijk teve influência directa, com um atraso mal medido. Ganhou 74% dos lances em que tentou tirar a bola ao adversário; ou seja, em 322 lances, perdeu 78 e ganhou 244. Em termos de ataque, tem quatro golos marcados.

Quando defendi Modric como candidato ao prémio de melhor do mundo [1], disse que o futebol não é só golos e jogadas bonitas; existe o trabalho que os jogadores de trás fazem e que é determinante para o que os da frente podem fazer. Os dados que citei provam que van Dijk foi fulcral para o sucesso desportivo do Liverpool, que só não foi campeão por ter um super Manchester City, que trabalha como uma máquina bem oleada.

Desde Fábio Cannavaro, último defesa a conquistar a bola de ouro em 2006, que não há um defesa com um impacto tão grande numa equipa. Eu lembro-me de, em Dezembro de 2017, quando tinha sido anunciada a contratação de van Dijk, ter pensado com os meus botões que o maior problema dos reds da cidade dos Beatles era exactamente a sua defesa e que a compra do passe do holandês fora dinheiro bem gasto. Passado um ano e meio, tudo o que comentei com pessoas próximas de mim (tenho pena de não ter escrito aqui sobre o assunto, mas, na altura, outras matérias me ocuparam a pena [2]) aconteceu. O Liverpool é uma equipa assustadora de trás para a frente, que teve azar.

A época poderá ser um sucesso estrondoso, se ganharem a Liga dos Campeões, mas campeonato só para o ano. Ainda assim, se voltarmos a ter este Liverpool, irão muito provavelmente ser os campeões e quebrar a sua seca.