Nota do editor: este artigo é um resumo do texto de Chris Hughes, publicado no «The New York Times» [1]


Nós temos as ferramentas necessárias para controlar o domínio do Facebook. Parece é que nos esquecemos delas.

Os EUA foram construídos em torno da ideia de que o poder não se deveria concentrar nas mãos duma só pessoa, porque todos somos falíveis. É assim no sistema democrático, mas também na ameaça que empresas gigantescas representam para a concorrência, a inovação e o crescimento económico. Os monopólios são ilegais e as entidades reguladoras têm o poder efectivo para promover a concorrência, tendo dividido empresas como a Standard Oil e a AT&T.

Para muitas pessoas hoje, é difícil imaginar o Estado a dividir uma empresa como o Facebook. Nos últimos quarenta anos, um grupo dedicado de economistas, juristas e políticos juntou-se para financiar uma rede de laboratórios de ideias, jornais, clubes e universidades, que ensinou a uma geração inteira o evangelho do primado dos interesses privados e do mercado livre, dinâmico e produtivo, sobre o interesse público e o Estado, burocrático e ineficiente. Esta seita conseguiu relegar os esforços enérgicos contra os monopólios para os livros de história.

Esta mudança, aliada a uma política fiscal e regulador amiga das empresas, levou a um período de fusões e aquisições que criou mega-empresas e um declínio do empreendedorismo [2], uma redução do crescimento da produtividade [3], preços mais altos e menos escolha [4] para os consumidores.

O mesmo está a acontecer nas redes sociais e nas comunicações digitais. O Facebook domina o mercado de tal forma, que não tem qualquer concorrência. O resultado é simples: sempre que o Facebook faz asneira, nós indignamo-nos, desapontamo-nos e resignamo-nos.