Por Fábio Morgado


Com pouco mais de uma semana para o fecho do mercado, a 2 de Setembro, ainda existe muito movimento, apesar do mercado inglês já ter fechado na semana passada e do italiano estar a fechar por altura da publicação deste artigo. Equipas que têm jogadores que já não podem ser negociados nestas ligas acabam por fazer negócios apressados, como, por exemplo, empréstimos com opção de compra caso o jogador participe num certo número de jogos ou marque um certo número de golos. Noutros casos, a situação não difere muito dos saldos duma loja que faliu: tudo a metade do preço, só para escoar o material.

O Sporting já esteve mais longe da falência — o que seria pena para um clube histórico. Mas o Benfica também já lá esteve e hoje em dia está saudável, por isso a lição a retirar é esperar por tempos melhores. Muita tinta correu sobre o Sporting ter de vender a sua pérola — Bruno Fernandes — para equilibrar as contas. O valor pedido é de setenta milhões e nada abaixo disso. Na minha opinião, como o mercado está hoje em dia, penso que vale isso mesmo ou quiçá até um pouquinho mais. É um médio goleador, que ainda no ano passado bateu um recorde histórico de médio mais goleador numa época só (que pertencia a Frank Lampard, uma lenda do Chelsea). Além dos golos, é um médio que faz jogar e com classe. Qualquer equipa gigante teria sorte em poder contar com uma vedeta deste calibre.

Só que o facto de termos um mundo globalizado faz com que as notícias da crise financeira do Sporting cheguem mais depressa a toda a Europa e os tubarões, para poupar uns trocos, procuram aproveitar-se desta situação, tentando comprar o jogador a preço de saldo.

O presidente do Sporting está entre a espada e a parede. Se o vende barato, tem oxigénio para mais uma época, mas irá ter os adeptos a questionar-lhe a atitude; se o não vende, terá os adeptos a questionar porque não resolveu a situação financeira.

Numa tentativa de manter a sua jóia, Varandas está a vender um grande jogador a preço de saldo. Bas Dost, o gigante holandês, teve os seus anos de glória com Jorge Jesus, antes da embaraçosa invasão da academia de Alcochete. Lembro que este jogador marcou mais de vinte golos por época, no tempo em que estava bem psicologicamente. A pressão é algo a que um atleta de alta competição tem de ser habituar, mas, quando sente que está em perigo físico constante, devido às ameaças dos adeptos do Sporting, cria-se um bloqueio mental e não rende. Lembro-me de que, na final da Taça de Portugal, há duas épocas, Bas Dost teve oportunidade de empatar contra o Aves, mas falhou escandalosamente e notava-se que era algo psicológico: não acreditava em si mesmo, por culpa dos rufias supostamente sportinguistas.

Desde então, este jogador nunca mais foi o mesmo; e agora está a ser corrido, numa tentativa do Sporting cumprir as suas obrigações financeiras à tangente. No mercado de hoje em dia, um jogador que marque mais de vinte golos por época vale muito mais que nove milhões. Quem vai ganhar é o Eintracht Frankfurt, que, se consegue recuperar o goleador, irá ter um matador para substituir Jovic.

Enquanto escrevia este artigo, li um rumor de que a Fiorentina estaria interessada em Raphinha, também do Sporting. A ser verdade, penso que irá ser vendido, juntamente com Bas Dost, de modo a preservar Bruno Fernandes na equipa, esperando que este volte a fazer uma época brilhante e haja um milagre que o valorize — como ganhar o Campeonato, a Liga Europa ou o Europeu de futebol —, para ser vendido para o ano por um preço exorbitante e aí deixar de ser uma garrafa de oxigénio para sobreviver um pouco mais e passar a ser a luz ao fundo do túnel para a situação económica leonina.