Por Fábio Morgado


Há três épocas que escrevo neste espaço de opinião [1] e tento de várias maneiras ser diferente, tanto no conteúdo do tema semanal, como na sua abordagem, no sentido de evitar repetições, mas existe um tema sobre o qual todos os anos acabo a repetir-me.

O FC Porto foi novamente ao Estádio da Luz fazer o que quis duma equipa amedrontada.

No ano passado, o Benfica ganhou, tendo Rui Vitória no comando, mas não deixei de criticar neste espaço que a equipa se acobardou perante os azuis-e-brancos [2]. Há dois anos, o Benfica perdeu o campeonato na Luz, por se ter encolhido perante os Dragões — porque bastava um empate e, como diz o ditado, quem não marca sofre.

A equipa de Sérgio Conceição mostrou o que é a raça portista: uma equipa com personalidade e garra, pouco preocupada com o resultado. Com esta mentalidade, a equipa esteve desinibida e soube criar pressão nas duas peças fundamentais do Benfica — Pizzi e Rafa. Num certo lance, cheguei a contar três jogadores portistas a marcar Rafa. O rapaz já é franzino para enfrentar um corpo a corpo com outro jogador — agora imagine-se com três! Um bem-haja a este Porto saudável: só irá motivar os adversários a serem melhores.

O Benfica foi uma equipa sem inspiração e com excesso de confiança. Os adeptos, antes do jogo, andavam a dizer «cinco a zero». Eu próprio confessei a um amigo:

— Este ano, vejo o Benfica a ganhar bem ao Porto — querendo com isso dizer um jogo bem jogador e não no estilo medroso que há bastantes anos é praticado em casa contra o Porto.

Enganei-me completamente. Este excesso de confiança passou para os jogadores, que vinham de vários jogos com resultados gordos (especialmente contra o Sporting). Os jogadores acharam que Rafa ou Pizzi iam desequilibrar, esperaram que Raúl de Tomás (cujo talento se nota nos pés) fizesse algo mágico, ou acreditaram que o grego da baliza benfiquista iria defender tudo e mais alguma coisa. Mas nada disso! Foi uma noite má até para o treinador Lage; e agora iremos ver o seu valor como técnico. Espero que aprenda com o seu erro maior, que é mexer demasiado tarde na equipa: um jogador, a não ser que seja um predestinado, precisa de vários minutos para fazer a diferença; quinze (ou menos) não chegam.

É preciso não ter medo de mexer e arriscar. Pessoalmente, eu teria colocado no banco o Raúl e teria lançado a jogo o Chiquinho, que vinha a mostrar o impacto que tinha quando jogava com a equipa.

Bruno Lage, a perder, estaria a colocar o pescoço na guilhotina, porque deixou o Sr. Vinte Milhões no banco. Mas, ao perder desta maneira com o FC Porto, ironicamente, ficou com o pescoço na guilhotina na mesma. Devia apostar na surpresa, como fez no ano passado a lançar o Félix.

O pós-jogo é sempre o mesmo cenário triste. Desta vez, a crítica de Francisco J. Marques ao Benfica foi por ter deixado de fora da ficha de jogo o nome de Pinto da Costa. Sucede que quem prepara essa lista é o secretariado do Porto e foi justificada a ausência do seu presidente por este estar de castigo. O director de comunicação fez figura de burro, mesmo burro. O Benfica, por sua fez, baixou ao nível da burrice, envolvendo-se em debate com este senhor como estratégia para desviar atenções do mau resultado.

E agora baixo eu ao nível da burrice por dar atenção a isto…