Por Fábio Morgado


Esta semana, estava a planear escrever sobre o sorteio da Liga Europa e da Liga dos Campeões, que têm as equipas portuguesas a ocupar todas as suas vagas. Isto é um sinal dum futebol de qualidade praticado contra equipas da Europa. Espero um ano cheio de vitórias lusas, para arrecadarmos mais pontos no ranking europeu, de modo a, no futuro, podermos vir a ter ainda mais presença lusitana pela Europa. Ia também congratular-me por ter acertado em quem ganharia o melhor jogador do continente europeu (que foi Virgil van Dijk), que também aponto como vencedor do prémio The Best e da Bola de Ouro [1].

Tinha o artigo todo pensado, quando aparece a notícia de que o treinador do Sporting havia sido despedido. Mais tarde, um amigo meu enviou-me uma cópia duma publicação num fórum do Sporting, alegadamente publicada na Segunda-feira à noite:

Jorge Mendes exigiu, para fazer o negócio de Bruno Fernandes, que o Sporting resolvesse a situação de Podence (agenciado por ele) e que Leonel Pontes (agenciado por ele) passasse a treinador principal. Keizer vai, nas próximas horas, ser despedido.

A pontuação, corrigi-a eu. Se calhar, não era mal pensado menos tempo nos fóruns futebolísticos e mais tempo com alguma literatura a sério…

A internet, estando repleta dos denominados trolls — pessoas que se dedicam a gozar com outras pessoas ou situações, até criando situações falsas para o efeito —, poderia ter gerado esta publicação como uma partida, razão pela qual a mesma foi praticamente ignorada, tirando algumas respostas nesse fórum de opinião sportinguista.

Era de conhecimento geral que Jorge Mendes iria ocupar-se da venda de Bruno Fernandes. Também recentemente, foi resolvido o litígio com o clube grego Olympiacos FC em relação ao jogador Daniel Podence (este jogador havia rescindido com o Sporting devido ao ataque à Academia). A notícia que, durante a manhã de Terça-feira, ventilava esta decisão do Sporting também falava de Leonel Pontes (treinador dos sub-23) como vindo a ser o treinador principal. Se juntarmos a isto o facto de, no último dia de mercado, o Sporting, apesar das claras dificuldades financeiras, foi buscar três reforços — dois deles assim do nada —, somos levados a entender que houve um padrinho por trás; porque Bolasie e Jesé Rodríguez são jogadores de qualidade, que, se tiverem juízo, irão dar alegrias aos Leões…

Acho injusto o treinador ser despedido. A época foi toda planeada por ele. O Sporting não recomeça do zero; recomeça muito abaixo disso, porque a época está em andamento, os rivais estão fortes e definidos na sua maneira de jogar. Um treinador novo, mesmo sendo da casa, tem de conseguir plantar a sua maneira de pensar o jogo nos seus jogadores. O Benfica, no ano passado, teve sucesso numa mudança tão radical, porque, desde os infantis aos seniores, a maneira de jogar é a mesma — o que não creio que seja o caso no Sporting.

Esta situação faz-me lembrar quando José Veiga — um outro famoso empresário do futebol — era director desportivo do Benfica. Lembro-me bem dessa altura: o Benfica não ganhava competições e não tinha dinheiro. O desespero era tanto que o Benfica se rebaixou a um mercenário, o qual usou a instituição encarnada para promover e valorizar o seu produto — os jogadores. O Sporting vai no mesmo caminho.

O presidente Varandas, no ano passado, disse que ia acabar com o circo que era o Sporting. De certa maneira, realmente, já não é um circo: agora, o Sporting é um local de sequestro e os Leões estão reféns dum super agente, que irá utilizar uma instituição histórica como o Sporting para fazer dinheiro e, no fim, despachá-lo, quando não houver mais utilidade leonina.