Nota do editor: este artigo é um resumo do texto de Luís Ribeiro, publicado na «Visão» [1]


O ambientalista simplório quer acabar com os combustíveis fósseis, mas não quer barragens, porque destroem ecossistemas, nem eólicas, porque estragam paisagens, nem energia nuclear, porque produz lixo radioactivo.

Quer florestas, mas sem eucaliptos. Quer dizer a cada proprietário o que plantar e obrigá-lo a tratar do terreno, num serviço gratuito, para benefício da sociedade.

O ambientalista simplório grita: «oiçam os cientistas: estamos a destruir o planeta.» Mas, quando os mesmos cientistas dizem que «os transgénicos não fazem mal», o ambientalista simplório berra que «estão a soldo das multinacionais.»

O ambientalista simplório quer agricultura biológica, mas esquece-se de que tudo são químicos e de que a agricultura biológica precisa de mais espaço para produzir a mesma quantidade que a agricultura industrial — e que esse espaço significa desflorestação.

Quer que toda a gente se torne vegetariana e acabar com a produção animal, mas ignora que, sem produção animal, o fertilizante terá de ser artificial e «Deus nos livre dos químicos!»

Quer acabar com os jardins zoológicos, porque os animais não podem estar em cativeiro — excepto se forem gatos e cães: esses podem viver trancados num apartamento.

O ambientalista simplório é contra o desperdício alimentar, mas não quer conservantes nem nada que seja feito com restos de comida.

O ambientalista simplório só cozinha com azeite, mas vocifera contra os olivais intensivos.

O ambientalista simplório chora a morte de cada rinoceronte e tigre, mas defende a medicina tradicional chinesa, causadora da perseguição a rinocerontes e tigres, com cujos cornos e ossos faz pós milagrosos — porque as medicinas alternativas são naturais e o que é natural é bom (desde que não seja sal, cogumelos venenosos, arsénio, amianto, mercúrio, antraz, urtigas, malária, raios ultravioletas, etc.).

O ambientalista simplório faz campanhas para que se coma «fruta feia», mas ignora que os tomates e as maçãs disformes se transformam em ketchup, sumos e outros produtos.

O ambientalista simplório quer comer peixe, mas não do capturado no mar, porque a pesca não é sustentável, nem de aquacultura, porque tem antibióticos.

O ambientalista simplório quer que haja mais carros eléctricos nas estradas, mas é contra a prospecção de lítio, essa fonte de poluição do ar, dos solos e das águas, e faz a sua luta nas redes sociais, usando o seu telemóvel com bateria de lítio.

Há um certo tipo de ambientalista que quer sol na eira e chuva no nabal. Que não aceita menos do que um mundo perfeito. Um mundo que não existe.